GOLPISTA NÃO SE PERDOA. MACULA-SE.

GOLPISTA NÃO SE PERDOA. MACULA-SE.

       A pecha de golpista é vitalícia. Não se limpa, não se apaga, não se redime para o resto da vida. Afinal, o golpista é a negação do direito sagrado ao voto. Ele cassa esse direito dos eleitores. Portanto, a rigor e dentro do mais elementar conceito de ética, o golpista perde o direito de pedir voto. Aqui em Manaus temos um grupo de deputados golpistas candidatos à prefeitura que querem votos da população. Sem contar com um prefeito, também apoiador do golpe, que deseja se reeleger. Temos todos a obrigação democrática de disseminar os nomes dessas criaturas e denunciá-las como golpistas. Porque assim devem ser tratadas. Não merece votos quem ajuda a roubar o direito de 54 milhões de eleitores.

O BERÇO ESPLÊNDIDO DA TRAGÉDIA

O BERÇO ESPLÊNDIDO DA TRAGÉDIA

       Convivo com a sensação de que os brasileiros estão anestesiados. E aqui fato tanto de quem foi pras ruas apoiar a saída de Dilma quanto de quem foi pras ruas defender sua escolha por 54 milhões de eleitores. Não fazem ideia do que está acontecendo com o País. Não têm noção do quanto sua vida e a vida de seus filhos e netos pagarão caro. Muito caro. E aqui não falo apenas dos mais sem-vergonhas dos golpes de estado. Falo do que já está acontecendo e do que acontecerá se ele for consumado. Será que essa gente sabe o que é “flexibilizar” relações trabalhistas? Continue lendo

O CRIME DA MÍDIA NATIVA

O CRIME DA MÍDIA NATIVA

       Qual o papel de uma mídia isenta e apartidária? Disponibilizar informações honestas para que cidadãos e cidadãs, a partir de acontecimentos factuais, formem juízo e assumam as posições políticas que lhe convierem. Mas à mídia brasileira, com raras exceções, não interessa esse comportamento. Ao simplesmente esconder ou minimizar as manifestações contra o golpe acontecidas no domingo, a mídia assume o seu papel de banda podre e comete um grave crime: sonega informações à sociedade. Na esteira dessa deplorável atuação, comprova seu velho e histórico pendor golpista. Ou seja, faz de seus leitores massa de manobra e os imbeciliza em favor dos interesses da minoria, que insiste em manter viva a Casa Grande.

POR QUE RICOS E PODEROSOS ODEIAM LULA?

POR QUE RICOS E PODEROSOS ODEIAM LULA?

       Não, não é pela figura do Lula, do nordestino, do ex-metalúrgico e líder sindical que a elite, muito bem representada pela maioria dos articulistas da midiazona, destila seu permanente ódio. Mas também não é pelo Lula presidente, depois de três derrotas. O ódio tem endereço certo. É pelo fato do Lula ter-se atrevido a construir a maior rede de proteção social que esse País já teve, o que, dentre outros impactos, resultou absurdamente na ascensão de mais de trinta milhões de brasileiros que passaram a garantir o direito mínimo a três refeições ao dia. Isso é inadmissível, é um acinte para a velha elite conservadora e reacionária. Se Lula tivesse simplesmente passado pela presidência e nada disso tivesse feito, se tivesse fracassado, inexistiria razão pra tamanho ódio. Afinal, teria sido uma colher de chá pra demonstrar que os da Casa Grande nada têm contra os da Senzala, coisa maldosa insinuada por pessoas de pouco respeito. Mas fazer o que ele fez, não e não! Claro que a elite no poder está se lixando pra essas tais políticas de proteção social, mas também não aceita que alguém as faça. Assim muito parecido com o Programa Mais Médicos. Para os 701 municípios brasileiros a gente não vai! Mas também a gente não quer que os estrangeiros, principalmente cubanos, possam ir. Enfim, o Lula quebrou a regra do jogo. Daí ser odiado por essa minoria. Mas amado pela maioria.

HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (7)

HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (7)

       Não sei como nem por que incorporei o hábito. Desde muito cedo. Sempre fui cartesiano e rigoroso com a questão de horário. Nada a ver com alguma convivência britânica, de onde vem a fama da pontualidade. “O horário da reunião é britânico”, diríamos. O certo é que nunca consegui me desobrigar desse hábito. Ainda que tenha me esforçado em muitas ocasiões. No velho ICHL, no campus da Universidade Federal do Amazonas, por exemplo, sabia exatamente o tempo a ser consumido da sala de professores até à sala de aula. Aí incluídos uma breve pausa na cantina, para um cafezinho, e uma pequena margem de segurança para uma eventual conversa com colegas professores ou alunos ao longo do trajeto. Mas muito antes de ingressar na universidade como docente, já praticava o hábito. Lembro-me de que, quando ministrava aulas para o ensino fundamental, turmas de 6o ao 9o ano, no antigo Colégio Brasileiro da família Silvestre, os alunos me conheciam muito bem. Quando a cansada sirene anunciava o horário de início das aulas, eu já estava na porta da sala de aula aguardando a chegada da turma. Mas com a mesma pontualidade eu interrompia uma frase ou uma explicação ao soar da mesma sirene, anunciando o final do tempo de aula. Esse hábito, que até hoje carrego comigo, valeu-me dos alunos do Colégio Brasileiro um apelido engraçado e simpático de que nunca esqueci: Criket. Para quem não sabe, era uma marca de isqueiro da BIC cujo comercial na TV exaltava sua infalibilidade e sempre terminava com o slogan: “Não falha nunca!”.

OS SENTIDOS DO TEXTO

OS SENTIDOS DO TEXTO

Engana-se quem acredita que um texto é um objeto sempre pronto para ser inteiramente apreendido por alguém. Encarar dessa forma é ver na figura do leitor um ser passivo que simplesmente se conforma em decodificar a sequência de palavras que está à sua frente. Diferente da crença alimentada pelo senso comum, o leitor nunca é passivo. Mikhail Bakhtin, filósofo da linguagem, nos lembra que o sujeito-leitor aciona a todo instante a chamada atitude responsiva ativa. Ou seja, diante do que lê ou do que ouve constrói uma interlocução permanentemente viva, mesmo que isso se dê sem manifestação verbal explícita: concorda, discorda, faz acréscimos, aponta outras direções, censura, polemiza, corrige rumos, enfim, o leitor é um ser atuante. É possível tirar boas lições pedagógicas dessa perspectiva. Continue lendo

O PRÉ-SAL PARA LEIGOS

O PRÉ-SAL PARA LEIGOS

       A coisa se deu assim. Pra descobrir o Pré-sal e criar alternativas de sua exploração, o Brasil, via Petrobras, investiu muito pesado em capital intelectual e pesquisa tecnológica. Isso se deu no governo Lula. À época, nenhuma empresa estrangeira interessou-se em marcar presença, afinal, era uma empreitada de risco que poderia dar certo ou não. Deu certo. O Brasil hoje produz milhões e milhões de barris de petróleo e domina mundialmente a tecnologia do Pré-sal. Pois bem, agora que tá tudo prontinho, os entreguistas tucanos, associados ao golpista Temer e seus cúmplices, querem tirar a Petrobras da jogada e entregar o Pré-sal de mão beijada para os estrangeiros. Entenderam a maracutaia?

OS DESAFIOS DA ESCRITA E O ATRASO DA DIDÁTICA

OS DESAFIOS DA ESCRITA E O ATRASO DA DIDÁTICA

Estou convencido de que o maior desafio dos professores de Língua Portuguesa continua sendo a busca de alternativas pedagógicas que possam quebrar a resistência dos estudantes em aprimorar a estruturação mais competente de seus textos. Esse fato, que se configura como crise há décadas, pode ser indistintamente constatado nos diferentes níveis escolares. É o aluno do ensino fundamental, que não consegue articular duas ou três frases, dando-lhes noção de conjunto; é o aluno do ensino médio, que encontra dificuldades para alinhavar idéias, dando-lhes o mínimo de unidade semântica; é o universitário, que, embalado pela aprovação no vestibular, supõe escrever bem, mas produz verdadeiras colchas de retalhos independentes entre si; enfim, é o professor, que vive a exigir qualidade nos textos de seus alunos, mas estranhamente nunca partilha com eles a sua produção escrita. Como consequência natural desse efeito dominó, não é difícil imaginar que a situação é grave, também, em outras instâncias. Continue lendo

O SEMEADOR DE DESIGUALDADES

O SEMEADOR DE DESIGUALDADES

       Nesse período de exceção democrática, já viram alguma iniciativa de Temer, o usurpador, que, mesmo de longe, sacrificasse os moradores da Casa Grande? A resposta é unânime: nenhuma! E quanto a iniciativas que subtraem conquistas dos mais pobres? Neste caso, a fila não tem fim: redução do Bolsa Família, fim do Ciência sem fronteiras para a graduação, fim do Farmácia popular, flexibilização da CLT, desmonte do SUS, sinalização de privatização do ensino superior, possibilidade de jornada de 80 horas semanais, redução dos investimentos no Minha casa minha vida, fim do Ministério de desenvolvimento agrário, redução dos investimentos para bolsas de pós-graduação, desvinculação de recursos para as áreas de educação e saúde… Tudo isso e muitas outras coisas em tão pouco tempo! Como podem ver, Temer, o golpista, e sua turma têm verdadeiro ódio pelos pobres. Urge defenestrá-lo do Planalto.

O FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?

O FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?

       Sou de origem pobre. Bem pobre. Perdi o pai aos 7 anos. Minha mãe, servente da velha Santa Casa de Misericórdia, herdou 8 filhos e um salário mínimo. Em razão disso, minha vida toda de estudante sempre foi em instituição pública. Do antigo primário à Universidade Federal do Amazonas. A pós-graduação, mestrado e doutorado, só foi possível graças à bolsa do MEC, via Capes. Iguais a mim, milhões e milhões de brasileiros e brasileiras não teriam conseguido um lugarzinho ao sol sem a proteção e a presença do poder público, ainda que claudicante. Continue lendo