BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

       Trata-se de uma tática matreira e velhaca, muito antiga, mas sempre usada quando é conveniente dissimular o sujeito autor da ação de um verbo, com o objetivo de proteger o verdadeiro autor. Nesses dias, a velha mídia, os portais e blogs espalharam a notícia de que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por conta de uma estranha reforma ainda mal explicada, fecharia várias escolas na capital e no interior. Daí se sai o portal G1, do grupo Globo, com a seguinte manchete: “REORGANIZAÇÃO FECHA 31 escolas estaduais de São Paulo”. Deu pra notar a tramóia discursiva? O sujeito da ação deixa de ser Geraldo Alckmin e passa a ser uma tal de “organização”, sujeito a quem se atribui o “fechamento das escolas”. Ou seja, ao substituir o verdadeiro sujeito da ação por um ente abstrato e intangível (“organização”), o autor da manchete cria a ilusão de que o ato de fechar escolas foi imotivado, ao mesmo tempo em que livra o governador de tal responsabilidade. Pode até parecer tolice, mas esse tipo de malícia tem uma função ideológica subjacente que funciona muito bem com os leitores desavisados. Aí está mais uma prova de que inexistem discursos desprovidos de propósitos, quer sejam ostensivos ou velados.

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