BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

       Nesses dias, o presidente do STF, ministro Ricardo Levandowski, levantou sua voz contra o que chamou de golpe institucional. Da parte de quem louva a democracia e defende o Estado de Direito, todos viram com bons olhos a fala do ministro, que teria enquadrado os contumazes golpistas em seu mundinho que, de tão pequeno, já se tornou patético. Também saboreei a fala do ministro como muito bem-vinda, mas não deixei de atentar para alguns aspectos discursivos escondidos em suas entranhas. Sem querer, de forma alguma, ser um estraga prazeres, sobretudo porque tenho o ministro Levandowski em boa conta, permito-me uma breve análise de algumas sombras que se escondem por trás de sua afirmação: “Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional”. Tenha a santa paciência, mas quando o ministro diz que precisamos “ter paciência”, ele está se reportando a algo que não está bom, que não está legal, que é um incômodo. Neste sentido, o que ele prega é uma concessão, uma contemporização com um certo estado de coisas. Ora, não é bem assim! A democracia tem que ser entendida em sua essência, como um sistema em que a minha liberdade termina exatamente onde começa a do outro. Portanto não se resume a uma questão de paciência, simplesmente porque dá margem a que alguém, em algum momento, possa perder a paciência. Por outro lado, “aguentar mais três anos sem golpe”, sempre no plano da concessão e da tolerância com os golpistas, autoriza dizer que, passados os três anos, a barra fica limpa para eles. Ora, não é bem assim! Golpe não se admite nem hoje, nem amanhã, nem depois, nem nunca! Que me desculpe o ministro Levandowski, mas não consegui conter o advogado do diabo que habita meu senso crítico.

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