HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (1)

HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (1)
       Lembro-me como se fosse hoje. Cursava o quarto período do Curso de Letras, na Universidade Federal do Amazonas, e iria assumir minhas primeiras turmas numa escola pública. Foram a mim designadas quatro turmas da então quinta e sexta séries. Aos colegas já formados e com mais tempo de sala de aula, eram atribuídas as turmas das séries seguintes ou do segundo grau. Um tanto verde para lidar com aquela garotada, desdobrei-me para dar conta do recado, mas cometi gafes das quais apenas lá na frente, mais maduro e viajado na prática pedagógica, vim me dar conta. Alguns anos depois, já como professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa no Curso de Letras da UFAM e com a bagagem de um mestrado, tive oportunidade, com a ajuda de meus alunos, de fazer a crítica daquela minha experiência inicial em sala de aula. E, dentre outros aspectos, a discussão mais elementar para a qual convergimos foi na seguinte direção: ao contrário da lógica que então predominava, exatamente aquelas turmas iniciais, carentes de base sólida para enfrentar as séries seguintes e o ensino médio, deveriam ficar sob a responsabilidade de professores formados e com maior quilometragem de prática pedagógica, e não sob os cuidados de um neófito. Não sei como andam as coisas hoje, mas continuo convencido de que um professor inexperiente é menos nocivo em séries mais adiantadas, onde os alunos no geral já dominam as ferramentas essenciais para o enfrentamento de desafios, do que em séries iniciais, onde os alunos carecem ainda de bases elementares para construir essas tais ferramentas.
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