HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (6)

HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (6)

       Eram tempos de esperança. Eu tinha retornado de São Paulo em 1987, onde havia defendido a dissertação de mestrado na Pontifícia Universidade Católica, e acompanhava de longe e com entusiasmo a promulgação, pelas mãos do bravo deputado Ulysses Guimarães, da Constituição de 1988. De volta à sala de aula, no novo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), no campus da Universidade Federal do Amazonas, no Aleixo, a cabeça fervilhava de ideias e planos. Um deles vingou no ano seguinte, 1989. O reitor era Roberto Vieira. Na Pró-reitoria de extensão, contávamos com o entusiasmo e o espírito desbravador de Silas Guedes de Oliveira. Articulei-me com a determinação da professora Helena Freire, da Faculdade de Educação, e montamos dois projetos até então inéditos para o interior do Estado. Vencemos algumas resistências e não sossegamos até sua aprovação em todas as instâncias decisórias no âmbito da universidade, sempre com apoio do Silas. Alguns professores nos departamentos envolvidos alegavam que não faria sentido a interiorização da universidade naquele momento, e isso só deveria acontecer depois que ela não tivesse mais dificuldades na capital. Desprezamos, eu e Helena, essa lógica. Sabíamos que, a depender dela, tão cedo a universidade não deixaria de ser de Manaus para ser do Amazonas. O próximo passo seria negociar com os prefeitos, afinal, era preciso financiar as despesas dos dois projetos. Não foi difícil. Qual prefeito não queria a presença da universidade federal em seu município? Assim se deu. Helena Freire implantou e coordenou o primeiro curso pleno de Pedagogia no município de Coari e eu implantei e coordenei o primeiro curso pleno de Letras no município de Parintins. O ano era 1989. Os dois cursos, que funcionavam nos períodos de recesso, julho, janeiro e fevereiro, foram, de fato, os embriões da interiorização da Universidade Federal do Amazonas. A turma de Parintins foi uma das mais extraordinárias e frutíferas experiências pedagógicas da minha carreira, e sobre ela guardo um infindável número de histórias. Com Helena, tenho certeza, não deve ter sido diferente.

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