O ATRASO DO ATRASO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

O ATRASO DO ATRASO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Eric Sena, o mancebo de 12 anos aqui de casa, fez prova de Língua Portuguesa nesses dias. Um dia antes, pediu-me que escutasse a revisão do que havia estudado. Sua técnica é assim. Lê o material e, depois, pede a mim ou à sua mãe para ouvi-lo e, eventualmente, corrigirmos ou darmos alguma sugestão. Para meu desalento, a prova abordaria questões puramente teóricas de ordem sintática: o que é sujeito, sujeito simples e indeterminado, oração sem sujeito, tipos de predicado e por aí afora. Sobre leitura, compreensão de textos e produção escrita, nada! Triste constatação: os professores de Língua Portuguesa continuam, décadas depois de extraordinários avanços no campo da linguística aplicada, massacrando seus alunos do ensino fundamental com pura gramatiquice, em lugar de privilegiarem a prática do efetivo uso da língua materna, acompanhada das práticas permanentes de leitura e produção textual. A lógica mais elementar, e Paulo Freire foi o grande precursor desse caminho, manda que qualquer processo pedagógico, para ter resultados mais efetivos, parta do conhecido para o desconhecido, ou seja, da prática para a reflexão sobre a prática. Tudo está a indicar, entretanto, que a maioria dos professores de Língua Portuguesa prefere continuar na contramão da ciência e dos fatos. Pobres alunos.

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