O ENEM E A ENGANAÇÃO DIDÁTICA

O ENEM E A ENGANAÇÃO DIDÁTICA

       A escola é atividade meio, mas há livros didáticos que insistem em transformá-la em atividade fim. Nesses dias, recebi o anúncio do lançamento de um livro chamado “Como escrever para o Enem”. Nada mais ridículo. Ora, convenhamos, eu não preciso escrever bem “para o Enem”, eu preciso escrever bem para a vida. Neste sentido, escrever bem “para o Enem” deve ser consequência natural de meu aprendizado. O Enem não é um fim em si, mas um meio que, bem estruturado e com simulações de experiências para a vida, poderá aferir meu desempenho. Se eu preciso me preparar com exclusividade para o Enem, algo está errado com ele ou com a escola ou com ambos. Convivi muito com essa inversão de propósitos quando de minha longa docência na Universidade Federal do Amazonas. Alunos eram “preparados” para o vestibular, mas chegavam à universidade com enormes dificuldades de produzir um simples texto de um parágrafo. Trata-se, portanto, de compreensão equivocada que confunde o papel mediador entre o conhecimento e a vida e acaba por escolarizar toda e qualquer atividade que está muito aquém dela. É preciso desescolarizar a vida.

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