ONDE ESTÁ O ESPÍRITO PEDAGÓGICO?

ONDE ESTÁ O ESPÍRITO PEDAGÓGICO?
       Observe as frases seguintes, produzidas por certo aluno do ensino fundamental em uma prova de Língua Portuguesa: “João tem um posto. João é um sujeito composto”. Do ponto de vista formal, à luz do chamado português padrão, há algum deslize? Não, não há. E do ponto de vista semântico-discursivo, o que temos? Pode-se admitir um trocadilho proposital em que o autor das frases consegue um efeito, no mínimo, bem humorado. Pode-se também admitir que ele (o autor) estivesse se referindo ao João como alguém circunspecto, sóbrio. E sob outros aspectos? Pode-se admitir um pequeno descuido ortográfico em que o aluno transforma a preposição (com) e o substantivo (posto) em uma só palavra (composto). Enfim, outras leituras podem ser feitas. Acontece, porém, que o professor da disciplina tinha pedido na prova que o aluno dissesse o que entende por “sujeito composto”. Diante da resposta acima, o professor reprovou a questão e prejudicou o aluno. Fico aqui a me perguntar: até quando os professores de Língua Portuguesa vão continuar considerando mais relevante a terminologia do que o desempenho, não raro criativo, dos alunos em sua língua materna?

 

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