SEDE DE LER OU FALTA DE GRANA?

SEDE DE LER OU FALTA DE GRANA?

       A generalização é um recurso discursivo perverso. Dentre outras razões porque, à medida que fetichiza o objeto do dizer, contribui para a criação de afirmações que são transformadas em verdades incontestáveis e sedimentadas no imaginário da população. “Brasileiro não gosta de ler”, por exemplo, é um desses bordões odiosos, porque apaga o fato de que a busca da leitura envolve questões de ordem social e econômica. Num país de raras bibliotecas, em que a concentração de renda é vergonhosa e os livros ostentam preços tão exorbitantes, poucos têm poder aquisitivo para conviver com eles. Uma coisa, portanto, é ter sede de leitura; outra, é não ter grana para saciar essa sede.

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