BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

BREVE AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

Uma das estratégias mais ardilosas embutidas em um discurso é quando o sujeito administra outras vozes, coloca-as em conflito e delas se distancia, agindo como mero espectador, como se nada tivesse a ver com o acontecido. Em sua desesperada tentativa de livrar o pescoço, Eduardo Cunha tem posto em prática com muita habilidade essa artimanha.Ao acusar, por exemplo, Sérgio Moro de ser “dono do País”, ele atribui ao desafeto características que o colocam em imediato conflito com a própria noção de liberdade e estado de direito. Perceberam? De outro modo, ao acusar o mesmo Moro de ser “dono de todas as instâncias” do judiciário e pensar que “o STF e o STJ se mudaram para Curitiba”, o sujeito do discurso de Cunha chega a um ponto avançado de sua trama, na medida em que, agora, monta com astúcia e velhacaria um cenário em que o juiz é posto na condição de quem usurpa de suas prerrogativas e, portanto, passa a ter como adversários ou inimigos os juízes das cortes superiores. Pronto! Mais um conflito dos sérios está criado. Se colar… Enquanto isso, pra ganhar tempo, Eduardo Cunha pratica outro de seus esportes favoritos: a intimidação e o achaque explícitos. Todo cuidado é pouco com a esperteza dos movimentos desse senhor.

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