A “ESCOLA SEM PARTIDO” OU O GÊNIO DA ESTUPIDEZ

A “ESCOLA SEM PARTIDO” OU O GÊNIO DA ESTUPIDEZ

       Alexandre Dumas estabeleceu uma diferença nada trivial entre estupidez e genialidade. A genialidade, dizia ele, tem limites, a estupidez, não. Lembrei-me disso a propósito do projeto de um tal deputado aqui do Amazonas que prega a “neutralidade” ideológica, política e religiosa do professor na sala de aula. A estupidez parte do princípio, por si só eivado da mais pura ignorância, de que seja possível, antes de adentrar à soleira da sala de aula, o professor pendurar em um cabide sua formação social e ideológica, assim como uma troca de camisa. Santo sacrilégio!  Ora, a linguagem, a mais extraordinária virtude da raça humana, não comporta neutralidade. Ela é fruto dos diferentes momentos das relações sociais que marcam a vida de cada pessoa, desde o domínio de suas primeiras formas de apreensão do mundo. Inexiste, portanto, qualquer possibilidade de fronteira entre o ideológico e o não ideológico. Em outras palavras, o sujeito é determinado pelo mundo em que vive, o que não o impede, pela leitura, reflexão e experiência, de compreender como funcionam esses complexos mecanismos. Neste sentido, o próprio fato do tal deputado achar que é possível essa separação se insere no campo da limitada formação social e ideológica a que ele foi submetido. Por outro lado, quando esse mesmo deputado levanta a bandeira da “escola sem partido”, assume sua ignorância, porque confunde ideologia com pregação partidária. O que falta mesmo ao deputado, penso eu, é um pouco de dedicação aos estudos, pra não fazer o papel de bobo da corte e servir de ilustração viva à comparação do escritor francês Alexandre Dumas. Ler “Os três mosqueteiros” e descobrir por que eles são quatro não deixa de ser um bom começo.

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