O ATO FALHO DA MINISTRA CARMEM

O ATO FALHO DA MINISTRA CARMEM

       Em seu voto pela manutenção da prisão do senador petista Delcídio Amaral, a ministra Carmem Lúcia, do STF, conseguiu uma retumbante frase de efeito. Ao mote clássico da campanha petista de 2002 – “A esperança venceu o medo” – , associou a frase “o cinismo venceu o medo”, numa referência ao chamado “mensalão” petista. E, numa alusão direta à prisão do senador, arrematou que “o escárnio venceu o cinismo”. Tudo muito espetacular do ponto de vista retórico, não fosse um pequeno detalhe. No texto de seu voto, a ministra deixou escapar um discurso que caberia na boca de qualquer parlamentar da oposição ou de qualquer antipetista de plantão. Ou seja, encampou um discurso puramente político e se esqueceu de que o seu papel, muito aquém e além das insinuações ferinas e generalizadas proferidas, deveria ser o de ministra do STF e deveria cingir-se, portanto, à imparcialidade, à pessoa de Delcídio Amaral e aos autos do processo. Ao vilipendiar a frase “a esperança venceu o medo”, porém, Carmem Lúcia desrespeita tantos quantos acreditaram e continuam acreditando que a esperança venceu o medo, sim, independentemente de eventuais pilantras e desonestos que tenham aparecido no meio do caminho, como supõe o STF, infelizmente, ser o caso do senador em questão.

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