OS PERIGOS DA INSANIDADE POLÍTICA

OS PERIGOS DA INSANIDADE POLÍTICA

       No filme “O julgamento de Nuremberg”, há uma cena em que um dos oficiais julgados tem um lampejo de autocrítica e registra em sua fala que o nazismo foi montado em cima de chavões. Domesticadas pelos chavões, as pessoas perdem a capacidade de pensar, que é a mais extraordinária virtude do ser humano. A partir daí, as elas se limitam a obedecer direções. E, de fato, assim se deu no regime nazista de Hitler, quando se plantou que o bode expiatório da sociedade alemã eram os judeus e outras minorias. O resto da história a gente conhece. Nesses dias, lembrei-me da passagem do filme por conta de um pequeno texto compartilhado no Tuíter, vindo – quanta tragédia – da cabeça de uma pessoa tão jovem. Referindo-se à acusação contra o presidente da Câmara Federal, de ter recebido R$ 5 milhões em propina, ela dizia, sem escrúpulo algum, não ter a mínima importância se Eduardo Cunha “era bandido ou não”. E, já tomada pelo pleno estado de insanidade, acrescentava que “a ordem é tirar o PT do poder e só ele (Cunha) é capaz de realizar esse feito”. A situação torna-se dramática e repugnante. Ao mesmo tempo em que sentencia Eduardo Cunha como “bandido”, a autora do tuíter lhe concede indulgência e deixa claro que os fins justificam os meios. E de nada adiantam argumentos factuais, jurídicos e éticos, porque nesse estágio quem manda é o chavão. E o chavão impede o pensar. Sempre que numa sociedade se dissemina a insanidade como princípio, o futuro desponta como sombrio. E eu ando como muito medo desse futuro.

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