A RADIOGRAFIA DE UM GOLPISTA

A RADIOGRAFIA DE UM GOLPISTA

       Vamos trabalhar com a hipótese de que o afastamento de Dilma Rousseff, presidenta eleita, não tivesse decorrido de um golpe imoral, como já se revelou, e que o vice-presidente assumisse por força das circunstâncias a interinidade do poder até o julgamento final no Senado, com dupla perspectiva de retorno ou não da Presidenta ao seu cargo. Falaria alto, nesse caso, o sentido da interinidade. Alguém honesto e de boa fé, imbuído da interinidade, ou seja, de uma situação que pode ou não ser transitória, não desconstruiria, do dia para a noite, um projeto de governo que foi chancelado pelas urnas, para implantar um outro que não recebeu um voto sequer. Continue lendo

OS GOLPISTAS ESTÃO NUS!

OS GOLPISTAS ESTÃO NUS!

       Fantasiaram o golpe de “pedaladas fiscais”. Nas gravações de Sérgio Machado com Romero Jucá, entretanto, o tema não é abordado sequer uma vez. A conversa é focada na necessidade de afastar Dilma Rousseff e emplacar Temer, o usurpador, porque ela não abre mão de “estancar a sangria” da Lava Jato. A saída da Presidenta é vista, então, como única alternativa de livrar os corruptos dos próximos passos da operação e lhes garantir impunidade. Moral da história: os golpistas estão nus com as mãos nos bolsos!

A BARBÁRIE CONTRA A MULHER

A BARBÁRIE CONTRA A MULHER

       Não creio que seja mera coincidência. No ano de 2015, a violência contra a mulher no Brasil aumentou 44,7% em relação ao ano anterior. A tragédia e a barbárie não são pequenas. A cada 7 minutos, 1 caso de violência acontece. São quase 10 estupros por dia. Não à toa, 2015 foi um ano que registrou um número atípico de cenas explícitas de agressões verbais e de misoginia. E uma referência contundente, que não pode deixar de ser levada em conta, foram os ataques misóginos e as baixarias contra Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. É bem elementar: se fazem o que fizeram com a maior mandatária do País, certamente contribuem para a disseminação da banalização da violência contra a mulher em todo e qualquer lugar. É preciso dar um basta nessa barbárie.

A BANDALHEIRA SUFOCA A DEMOCRACIA E A ESPERANÇA

A BANDALHEIRA SUFOCA A DEMOCRACIA E A ESPERANÇA

       O bem mais sagrado de um estado democrático de direito é o respeito à sua constituição. Mas para o Brasil dos nossos dias isso é pura balela. Em que país civilizado e de regime democrático, pergunto, um senador da República é flagrado em uma gravação confessando em detalhes ser um dos cabeças de um golpe de estado e não vai diretamente para a cadeia? Ora, tentativa de golpe de estado é crime contra a soberania em qualquer país democrático! No Brasil desses tempos tenebrosos, O STF, “guardião da Constituição”, age como cego, surdo e mudo. Enquanto isso, Romero Jucá, o ex-ministro golpista, reassume seu mandato no Senado Federal e ainda debocha do povo brasileiro, posando ao lado do presidente da casa, Renan Calheiros, também golpista, como se nenhum crime hediondo os dois tivessem praticado. São tempos de revolta e de tristeza. Profunda tristeza. Está cada dia mais difícil amar esse País.

TEMER, O MUSSOLINI TUPINIQUIM

TEMER, O MUSSOLINI TUPINIQUIM

       A História registra que o ditador italiano Benito Mussolini, no auge de seus gestos autocráticos, impôs da língua italiana o banimento de algumas palavras que o incomodavam, pois eram usadas pelo povo como arma de chacota contra ele, o ditador. Deu-se que, como quem manda no uso língua é o povo, de nada adiantou. Muito pelo contrário. O povo passou a usar com mais frequência as palavras “proibidas”. Pois bem, Mussolini, o fascista, foi fuzilado ao fim da Segunda Guerra Mundial, seu corpo foi pendurado no teto de um posto de gasolina e o povo, dono do uso de sua língua, continuou a usar aquelas e outras palavras. Pois não é que hoje circula a notícia de que Michel Temer, o golpista do Jaburu, vetou o uso da palavra “Presidenta” em publicações da Empresa Brasileira de Comunicação! Continue lendo

A NÓDOA DO SUPREMO

A NÓDOA DO SUPREMO

       Gilmar Mendes é compulsivo em protagonizar episódios escabrosos que expõem as vísceras de sua atuação lesiva ao papel do STF. Ora, imaginem em qual país do mundo um membro da mais alta corte de justiça enfrenta a calada da noite de um sábado para estabelecer colóquio com um vice-presidente da República que tramou um golpe contra a democracia, carrega acusações de corrupção feitas por delatores, nomeia sete ministros que respondem por crimes de toda natureza no âmbito da Operação Lava Jato, um dos quais, Romero Jucá, é réu confesso em tramar pela derrubada da Presidenta eleita, num atentado criminoso ao Estado de Direito? Continue lendo

POR ONDE ANDAM AS PESQUISAS?

POR ONDE ANDAM AS PESQUISAS?

       A pergunta do jornalista Paulo Nogueira vem em boa hora. As pesquisas foram usadas à exaustão pela banda podre da mídia pra massacrar Dilma Rousseff, presidenta eleita. A ausência delas, por outro lado, tem o objetivo claro de proteger, pela mesma banda podre da mídia, Temer, o golpista, cujo desastre caminha para uma situação insustentável, notadamente agora, que o golpe foi escancarado. A mídia brasileira, com as poucas exceções de praxe, nada tem a ver com o “pilar da democracia”, como insiste em dizer Eliane Cantanhêde. Tem, sim, a ver com os pilares de todos os golpes.

TEMER, O USURPADOR OBEDIENTE

TEMER, O USURPADOR OBEDIENTE

        Pura maldade sair por aí dizendo que Temer, o golpista, é um fantoche nas mãos do correntista suíço Eduardo Cunha. Claro que isso é verdade, mas é justo lembrar quer há um outro alter ego a quem Temer, o golpista, obedece sem hesitar. Quando Jucá apareceu naquelas gravações tramando o golpe, disse que não teria razão para se afastar. Temendo que isso contagiasse o golpe, os Marinhos determinaram, em editorial, que Temer, o golpista, exonerasse Jucá. Assim foi feito. Agora, depois do episódio de Fabiano Silveira, Temer, o golpista, afirmou que iria mantê-lo à frente do Ministério da transparência, fiscalização e controle, afinal, sua tramóia era menos séria que a de Jucá. Isso foi de manhã. À tarde, os Marinhos divulgaram um outro editorial no portal de O Globo, determinando o afastamento de Fabiano. Temer, o usurpador, se viu obrigado a voltar atrás e, com o coração apertado, afastar Fabiano Silveira do tal ministério. Moral da história: aquele negócio do Temer, o golpista, bater na mesa e dizer que está acostumado a lidar com bandido e sabe governar é pura lorota. Quem manda nele são Eduardo Cunha e a turma dos Marinhos.

AÉCIO, O DESMORALIZADO

AÉCIO, O DESMORALIZADO

       Há um dado inquestionável nos flagras das conversas de Delcídio Amaral, Romero Jucá e Renan Calheiros. Todos citam Aécio Neves, conhecido como o trombadinha do impítman, e o colocam na condição de envolvido em falcatruas. De uma forma ou de outra, ninguém leva o mineirinho a sério. No primeiro caso, Delcídio revela o envolvimento de Aécio com a Lista de Furnas; no segundo caso, a conversa entre Jucá e Sérgio Machado revela que todo mundo sabe do esquema do Aécio (menos o Gilmar Mendes, é claro!) e que ele será o primeiro a ser comido. No terceiro caso, a conversa entre Renan e Sérgio Machado revela o medo de Aécio com a Lava Jato se aproximando dele, ao ponto de inquirir Renan sobre mais algum detalhe da delação de Delcídio Amaral. E pensar que Aécio Neves, que virou chacota nacional, queria ser presidente do Brasil e foi o líder da sabotagem ao governo de Dilma Rousseff, que, diferentemente dele, todos os fatos estão a evidenciar ser uma mulher íntegra e honesta.

A SUPREMA CORTE ESTÁ PEQUENA

A SUPREMA CORTE ESTÁ PEQUENA

       Há um dado nos últimos episódios de vazamentos que seria classificado simplesmente como curioso, não tivesse um componente trágico. Trágico para o nome e o papel do colegiado que representa a última instância, a derradeira possibilidade de busca de justiça no País. Tanto no caso de Delcídio Amaral, quanto nos casos de Romero Jucá e Renan Calheiros, as gravações revelam insinuações de negociações com “alguns ministros do STF”. Há, portanto, recorrência nos episódios. No primeiro caso, do ex-senador petista, o STF respondeu com sua prisão. Nos casos de Jucá e Renan, muito mais incisivos, até agora a resposta do STF foi o silêncio. Meu espírito de cidadania está entrando em pânico.