SOBRE DECÊNCIA E MAU CARÁTER

SOBRE DECÊNCIA E MAU CARÁTER

       Lembro-me muito bem. Durante todo o período que resultou no início do processo de impítman (legal, diga-se de passagem, com crime de responsabilidade) e consequente renúncia de Fernando Collor Mello, o então vice-presidente Itamar Franco norteou seu comportamento pela discrição, zelo e equilíbrio. Ou seja, dentro do que manda a liturgia do cargo, seu silêncio, longe de qualquer insinuação maldosa, expressou sua dignidade e lealdade ao companheiro de chapa. Somente depois do fato consumado pela renúncia de Collor, e como lhe era constitucionalmente de direito, Itamar assumiu o seu papel de presidente e ocupou seu lugar na História. Diferente desse comportamento nobre e civilizado, o que se vê hoje, no caso de Michel Temer, é um vice-presidente traiçoeiro, golpista, pusilânime, desleal e sem dignidade, que trama à luz do dia e na calada da noite, que descaradamente elabora programa de governo paralelo e deixa correr solto suas pretensões de montar um ministério, num acinte de causar inveja ao traidor Silvério dos Reis. Tudo isso com sua colega de chapa, Dilma Rousseff, em pleno e legítimo exercício da Presidência da República. Como se pode ver, há homens que se tornam públicos, pautam sua vida pela decência e bom caráter e deixam a vida para entrar na História de cabeça erguida; outros há, porém, que se tornam homens públicos, mas se mantêm pequenos, nanicos, escorregadios, sibilinos, desleais. O lugar desse tipo de gente, sem escala, é no lixo fétido da história.

Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Pin on Pinterest0Email this to someonePrint this page