O CRIME DA MÍDIA NATIVA

O CRIME DA MÍDIA NATIVA

       Qual o papel de uma mídia isenta e apartidária? Disponibilizar informações honestas para que cidadãos e cidadãs, a partir de acontecimentos factuais, formem juízo e assumam as posições políticas que lhe convierem. Mas à mídia brasileira, com raras exceções, não interessa esse comportamento. Ao simplesmente esconder ou minimizar as manifestações contra o golpe acontecidas no domingo, a mídia assume o seu papel de banda podre e comete um grave crime: sonega informações à sociedade. Na esteira dessa deplorável atuação, comprova seu velho e histórico pendor golpista. Ou seja, faz de seus leitores massa de manobra e os imbeciliza em favor dos interesses da minoria, que insiste em manter viva a Casa Grande.

O CRIME COMPENSA

       A Folha de S. Paulo, da família Frias, cometeu um crime jornalístico. Mais um. Passou para seus leitores a mentira de que 50% dos brasileiros querem a permanência de Temer, o usurpador, no poder. Foi desmascarada. O percentual mais próximo é de 19%. Da mesma forma, a família Frias engabelou seus leitores com a balela, essa mais descarada ainda, de que apenas 3% da população deseja eleições diretas como saída para a crise. Foi desmascarada de novo. Esse percentual chega a 62%. Ora vejam, de 3% para 62% é uma diferença estúpida, Continue lendo

ANÁLISE DE DISCURSO PARA PRINCIPIANTES

       Em termos bem simples, a coisa se resume ao seguinte: o significado das palavras está para o que se diz; o sentido está para o como se diz. Neste último caso, estamos no mundo do discurso. E, pelo discurso, é possível construir diferentes sentidos partindo das mesmas verdades factuais. Querem um exemplo? A última pesquisa IBOPE apurou o seguinte: 66% da população não confiam em Michel Temer e 13% aprovam seu governo. São, digamos, dados factuais. O modo como os jornais se utilizam desses dados, entretanto, projeta sentidos diferentes sem alterar os números. A manchete de O Globo, por exemplo, foi: “Governo Temer tem aprovação de 13% dos brasileiros”. Continue lendo

O PAPEL CRIMINOSO DA MÍDIA

Soube-se apenas pelas redes sociais e blogs alternativos. O MPF definiu que Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade com as tais “pedaladas fiscais”. Mandou arquivar o processo. Portanto o “impítman” é golpe desavergonhado. Mas a chamada velha mídia nenhum destaque deu ao fato. Isso comprova sua cumplicidade com o golpe. E, na medida em que deixa de noticiar fato de tamanha relevância, a envolver o voto de 54 milhões de brasileiros e brasileiras, comete crime contra o direito à informação. O que esperar, entretanto, de uma banda podre da mídia que apoiou o golpe de 64? É só mais um apoio a um outro golpe.

OS PROTEGIDOS DA GLOBO

       Historicamente, a Globo nunca fez bem ao Brasil. Sempre agiu de forma nociva aos interesses da democracia e do povo. Querem um pouco, só um pouquinho desse macabro retrospecto? Os Marinhos apoiaram com fervor o golpe civil-militar de 64, que deixou o País durante 21 anos à sombra de uma ditadura truculenta e sanguinária; manipularam informações e deram sustentação a Fernando Color, o “caçador de marajás”; da mesma forma, os Marinhos fabricaram os “bons tempos” de FHC, mesmo tendo quebrado o País três vezes; levaram às últimas consequências o apoio à candidatura do senhor Aécio Neves, hoje um recordista de citações na Lava Jato; os Marinhos, também, foram os grandes patrocinadores de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, hoje um dos maiores, senão o maior dos meliantes na política brasileira; sem esquecer que os mesmos Marinhos colocaram toda a estrutura de seu grupo para sabotar cotidianamente o governo de Dilma Rousseff e estimular outro golpe, dessa vez em favor de Michel Temer, o usurpador. Por essas e muitas outras, a Globo não é compatível com a democracia e é inimiga cruel do Brasil.

A ORDEM É ESCONDER O GOLPE

A ORDEM É ESCONDER O GOLPE

       A velha mídia está vencida como uma fruta podre que caiu do pé. Deteriora-se. Nem os pássaros e outros animais rastejantes se interessam por ela. Seus farelos se misturam à matéria orgânica do solo. Se resultar em adubo, será de péssima qualidade. No momento, não encontro melhor imagem que traduza o grau de manipulação rasteira com que se alimentam os donos das redações e, como costuma dizer Mino Carta, seus lacaios. Ora, as conversas gravadas entre Sérgio Machado, Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney, de tão escrachadas, dispensam qualquer leitura nas entrelinhas para evidenciar a trama macabra e rasteira do golpe de estado. Continue lendo

FIDELIDADE CANINA AO GOLPE

FIDELIDADE CANINA AO GOLPE

       Dê-se a César o que é de César. O jornal A crítica, de Manaus, não abre mão da parte que lhe cabe no patrocínio ao golpe. Suas manchetes têm sido pródigas em exaltá-lo e pródigas em abafar acidentes de percurso que possam atrapalhá-lo. A manchete de hoje é exemplar disso. Romero Jucá revela em gravação, com todas as letras e minúcias, a trama diabólica para depor Dilma Rousseff do poder e emplacar Temer, o usurpador, com o objetivo final de estancar as investigações da Lava Jato e, com isso, livrar o próprio Jucá e seus quadrilheiros da Justiça. O fato é de uma profunda e extrema gravidade, pois envolve uma confissão sobre as entranhas do golpe de estado contra a democracia . Mas o mancheteiro se sai com uma manchete que, de tão sóbria e amorfa, se torna ridícula pelo propósito vil de eufemizar o tamanho do escândalo: “Durou só dez dias”, referindo-se à saída de Romero Jucá do Ministério do Planejamento. Não bastasse isso, o lide da matéria limita-se tão somente às articulações contra a Lava Jato, deixando nas sombras o ponto central da ação criminosa: a trama para derrubar uma Presidenta legitimamente eleita e a consequente tomada do poder em busca da locupletação de Jucá e seus amigos quadrilheiros, conforme aparece em detalhes incontestáveis nas gravações divulgadas. As manobras do mancheteiro são tão chinfrins, que fica difícil acreditar que um jornal possa ter leitores tão limitados e imbecis, que não se deem conta de tamanha vulgaridade. Afinal, num mundo em que as informações em tempo real vão ao encontro das pessoas, os jornais impressos se transformaram num objeto de pouco ou nenhum valor

O TROFÉU DO GOLPE(2)

O TROFÉU DO GOLPE(2)

       Lembrei, antes, que a provinciana capa do jornal A crítica no dia do golpe no Senado não era novidade. Com Temer, o usurpador, em página inteira enlaçado pela faixa presidencial, acima e em letras garrafais a palavra “esperança” e abaixo, também em letras garrafais, a frase “que Deus nos abençoe”, aquela capa era o troféu do jornal para o jornal por seus relevantes serviços prestados ao golpe de estado. Mas dizia, também, que aquele triste registro se prestava a outras tantas leituras, nenhuma delas, ao meu ver, edificantes. Ora, ao usar a palavra “esperança” no alto da página, a quem o mancheteiro ou o seu ordenador estariam atribuindo a autoria do pedido de “esperança”? Continue lendo

O TROFÉU DO GOLPE(1)

O TROFÉU DO GOLPE(1)

       A capa do jornal A crítica, no dia consagrado à segunda etapa do golpe de estado, é um prato cheio para leituras discursivas. Numa perspectiva mais histórica e factual, a sua composição, de um provincianismo de causar inveja à Manaus do início do século passado, não apresenta novidade alguma. Quem acompanhou a cobertura do jornal ao longo de todo esse processo, iniciado ainda durante a campanha para as eleições de 2014, sabe muito bem de que estou falando. Continue lendo

O APOIO FASCISTA DA MÍDIA AO GOLPE

O APOIO FASCISTA DA MÍDIA AO GOLPE

       Com as exceções de praxe, a mídia brasileira, enquanto mediadora do compartilhamento de acontecimentos factuais, está inteiramente desmoralizada. Ainda assim, não se pode negar que o que lhe resta de poder está sendo colocado a serviço do criminoso golpe contra a democracia brasileira. E sua ação não nega os métodos fascistas empregados por Adolf Hitler para fomentar sua onda nazista. Basta dar uma circulada pelas manchetes diárias dos jornais impressos e portais a eles vinculados para perceber tal quadro. Tratam como fato absolutamente normal o senhor Michel Temer montar um governo paralelo, articulando a escolha de ministros e anunciando plataformas de governo, como se presidente já fosse, num comportamento vulgar de golpista que trama desavergonhadamente contra a democracia. Tudo isso sem ressalvas, sem pistas contextuais que permitam ao leitor desavisado o mínimo de leitura crítica sobre a esdrúxula situação vivida pelo País. Fabricam um simulacro de normalidade. Ora, na medida em que todos os dias bate nessa mesma tecla, a mídia investe no clássico princípio do nazista Joseph Goebbels, segundo o qual uma mentira repetida várias vezes torna-se “verdade”. Mas, convenhamos, pelo histórico sinistro da mídia brasileira, sempre a serviço dos ricos e poderosos e dos golpes, não se poderia esperar comportamento diferente.