A AUTODESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

A AUTODESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

       O que mais causa indignação no comportamento da mídia brasileira é a recorrente tentativa de fazer dos cidadãos uma manada de imbecis, incapazes de fazer qualquer leitura da realidade que os cerca. Em tempos de internet e redes sociais, em que as pessoas têm voz ativa na percepção e disseminação dos fatos, o monopólio da verdade deixou de ser exclusividade das redações. Neste sentido, observe-se o comportamento dos jornais de Manaus em relação às mobilizações de rua acontecidas nesta quarta-feira. Quem se limitou a se informar pelo jornal A crítica nada encontrou a respeito. As páginas do matutino simplesmente apagaram o fato e plantaram a verdade de que nenhuma mobilização aconteceu no dia de ontem na capital. Quem leu o tablóide Dez minutos teve que lidar com a verdade de que as mobilizações reuniram exatamente 800 pessoas. Quem, por outro lado, buscou se informar pelo jornal Amazonas em tempo conviveu com uma outra verdade: “Ato em favor de Dilma leva 10 mil às ruas de Manaus”. Excetuado o silêncio da omissão, talvez a mais cruel das manipulações, e sem entrar no mérito quantitativo, como se situar no disparate entre a “verdade” da presença de 800 pessoas e a “verdade” da presença de 10 mil pessoas? A diferença não é pouca entre a primeira e a segunda marca: 9.200 pessoas! É pra isso que serve a propalada liberdade de imprensa? O quadro é demonstrativo de que a mídia que assim age não precisa ser desmoralizada. Ela constrói sua própria desmoralização.

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