A CASA DE FERREIRO E O ESPETO DE PAU DA MÍDIA

A CASA DE FERREIRO E O ESPETO DE PAU DA MÍDIA

       No sentido mais clássico do termo, o papel da mídia é informar. Sempre que omite ou esconde uma informação de seus leitores, está praticando desonestidade explícita. Como bem lembrou Alberto Dines, “jornais existem para testemunhar”. Ao criar toda forma de artimanha para não dar publicidade à demissão de sessenta jornalistas e explicitar suas razões, a turma comandada pelos Marinho, de O Globo, incorre nessa prática desonesta. Tudo bem que isso não represente novidade, em se tratando do grupo Globo, mas dá o mote, insistentemente escondido, de que a mídia impressa colhe os frutos de ter apequenado o jornalismo e caminha para o seu ocaso. É só uma questão de tempo. Não por acaso, os jornais se ocupam de novo a repetir uma página inteira com uma estranha e fantasiosa peça publicitária proclamando que “nunca se leu tanto jornal”. Há que se perguntar: em qual planeta isso está acontecendo, cara-pálida, se os jornais a cada dia encolhem mais, a cada dia mais mínguam seus quadros, a cada dia fecham suas portas? Há que se arrematar: se a situação estivesse tão boa, por óbvio que sentido teria mexer em um time que está brilhando como nunca, uma vez que “nunca se leu tanto jornal”? Fantasia tem limites.

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