A DESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

A DESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA
       Esse novo vazamento da Operação Lava Jato, dando conta de que o governo FHC teria abiscoitado US$ 100 milhões em propina referentes a uma operação da Petrobras na Argentina, como tantos outros envolvendo figuras de outros partidos, trata-se de uma prática criminosa que põe em xeque a seriedade com que a questão vem sendo tratada pela justiça brasileira. Por outro lado, neste caso, em especial, serve mais uma vez de parâmetro para aquilatar o deplorável comportamento de grande parte da mídia brasileira, quando se trata de manter os cidadãos honestamente informados acerca de fatos que envolvem figuras do mundo político brasileiro. Imaginemos que o tal vazamento, em lugar do ex-presidente tucano, envolvesse o ex-presidente petista. Nenhuma dúvida resta de que as manchetes dos impressos e seus respectivos portais seriam generosamente escancaradas e criminalizadoras. O mundo viria abaixo. Dilma estaria encurralada. Imagine, ainda, se os tais US$ 100 milhões fossem atualizados. Estaríamos falando de algo em torno de mais de R$ 1bilhão de reais! As manchetes seriam mais escandalosas ainda. Acontece que as coisas não se deram bem assim. A questão foi tratada pela mídia ou com a discrição de sempre ou com o silêncio da cumplicidade. Ou seja, se, de um lado, a justiça desmoraliza a justiça com os vazamentos, a mídia desmoraliza a mídia ao dispensar tratamento diferenciado a fatos de igual relevância. Fosse séria a justiça, os vazamentos já teriam cessado há muito tempo e os responsáveis penalizados. Fosse séria a mídia, não trataria com dois pesos e duas medidas um ex-presidente tucano e um ex-presidente petista.
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