A INSUSTENTÁVEL FORÇA DO MANCHETEIRO

A INSUSTENTÁVEL FORÇA DO MANCHETEIRO

Bem que ele se esforçou. Seu entusiasmo, sua crença e sua profissão de fé resultaram na primeira manchete. Bombástica previsão na véspera das manifestações, com o jornal de domingo circulando na tarde de sábado! Isso é que é botar fé no golpe. Muito mais que um convite! “Impeachment nas ruas”. Pronto! A depender de seu particular desejo, estava antevendo a nova Queda da Bastilha. Com a expectativa frustrada pelo minguado barulho (apenas em torno de 6 mil pessoas teriam comparecido), não perdeu a pose, fez um malabarismo gigantesco pra não dar o braço a torcer e lascou na manchete de segunda: “Maior que abril, menor que março”. Lavou sua alma de mancheteiro e impitimeiro. Não satisfeito, porém, teve uma recaída de última hora e lavou a alma de novo pelo fracasso do domingo. Lascou sua vingança no lide da matéria: “Manifestações ganham as ruas pedindo o impeachment da presidente”. Pronto! Naquele dia dormiu o sono dos justos e dos bons jornalistas.

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