AS PEQUENAS GRANDES NOTÍCIAS

AS PEQUENAS GRANDES NOTÍCIAS

       Haveria um certo masoquismo nas redações dos jornais a determinar o apreço pelas coisas ruins? Empiricamente trabalho com a impressão de que sim. Às notícias boas reservam-se sempre cantinhos de página ou tripinhas de colunas sempre escondidas, como se fosse vergonhoso mostrar que o mundo e a vida também são feitos de bons acontecimentos. Querem um exemplo? Quantos jornais estamparam em primeira página, em letras garrafais, a extraordinária notícia de que nos últimos 15 anos a fome no mundo diminuiu 27%? Se, por outro lado, nesse mesmo período a fome tivesse aumentado 27%, com certeza teria merecido oito colunas de destaque com manchete grandiloquente. No caso do Brasil, a razão para o contentamento e mesmo a glória seria ainda maior: dos 128 países que compuseram a pesquisa para o Índex Global sobre a Fome, o nosso está entre os que mais diminuíram a subnutrição. Trata-se, entretanto, o acontecimento como se fosse algo corriqueiro, como se fosse vulgar milhões de pessoas no mundo e no Brasil passarem a ter direito ao que há de mais básico e elementar para sua sobrevivência: três refeições ao dia. O que pode haver de mais importante pra Humanidade do que reduzir o mapa da fome? Não à toa, o que se vê no povo brasileiro em geral é um mórbido cultivo de baixa estima. E a mídia tem culpa no cartório. Precisamos, urgentemente, de uma maciça campanha que tenha como lema “SOS, precisamos de boas notícias!”

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