E VIVA A INTERNET!

E VIVA A INTERNET!
       Tenho dito e reafirmo: a popularização da internet promoveu uma extraordinária revolução no mundo da produção de informações. Tempo houve em que a mídia tradicional, em sua onipotência, transformava seus interesses em verdades e anseios coletivos. Lembro-me até de uma emissora de rádio em Manaus que, ao final de seu noticiário, bradava em alto e bom tom: “Se a Tropical não deu, nada aconteceu”. Essa frase, para mim, é simbólica da arrogância e da prepotência com que os “formadores de opinião” viam a si e ao público, este na condição de mero receptor das “verdades”. Com essa poderosa fábrica de “verdades” em mãos, os donos das redações pintavam e bordavam, ao ponto do falecido Roberto Marinho ter mais poder que o presidente da República. Ao ponto, é bom lembrar, do oligopólio midiático ter tido uma participação decisiva no golpe civil-militar de 1964, que jogou o País nas trevas da ditadura. Pois a revolução da internet, com o advento dos portais e blogs independentes e das redes sociais, deu a cidadãs e cidadãos a condição de protagonistas, de sujeitos ativos na construção e circulação de fatos. Com isso, desbancou-se o monopólio da velha mídia como único meio de produção e circulação de informações. Resultado mais imediato: centenas de poderosos jornais e revistas impressos no mundo inteiro fecharam as portas e muitos definharam e agonizam. A mídia tradicional já não dá as cartas, já não canta de galo, não derruba mais presidentes ao sabor de seus caprichos e interesses, sempre articulados com os caprichos e interesses de ricos e poderosos. Suas “verdades” são desconstruídas e contestadas em tempo real, porque vozes outras estão sempre a postos em busca de verdades factuais. Fico aqui a me perguntar: o que seria da democracia brasileira se a estrutura midiática fosse a mesma de há cinquenta anos? Alguém duvida de que o golpe contra Dilma, Lula e o PT já teria vingado?

 

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