FIDELIDADE CANINA AO GOLPE

FIDELIDADE CANINA AO GOLPE

       Dê-se a César o que é de César. O jornal A crítica, de Manaus, não abre mão da parte que lhe cabe no patrocínio ao golpe. Suas manchetes têm sido pródigas em exaltá-lo e pródigas em abafar acidentes de percurso que possam atrapalhá-lo. A manchete de hoje é exemplar disso. Romero Jucá revela em gravação, com todas as letras e minúcias, a trama diabólica para depor Dilma Rousseff do poder e emplacar Temer, o usurpador, com o objetivo final de estancar as investigações da Lava Jato e, com isso, livrar o próprio Jucá e seus quadrilheiros da Justiça. O fato é de uma profunda e extrema gravidade, pois envolve uma confissão sobre as entranhas do golpe de estado contra a democracia . Mas o mancheteiro se sai com uma manchete que, de tão sóbria e amorfa, se torna ridícula pelo propósito vil de eufemizar o tamanho do escândalo: “Durou só dez dias”, referindo-se à saída de Romero Jucá do Ministério do Planejamento. Não bastasse isso, o lide da matéria limita-se tão somente às articulações contra a Lava Jato, deixando nas sombras o ponto central da ação criminosa: a trama para derrubar uma Presidenta legitimamente eleita e a consequente tomada do poder em busca da locupletação de Jucá e seus amigos quadrilheiros, conforme aparece em detalhes incontestáveis nas gravações divulgadas. As manobras do mancheteiro são tão chinfrins, que fica difícil acreditar que um jornal possa ter leitores tão limitados e imbecis, que não se deem conta de tamanha vulgaridade. Afinal, num mundo em que as informações em tempo real vão ao encontro das pessoas, os jornais impressos se transformaram num objeto de pouco ou nenhum valor

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