JORNALISMO CRIMINOSO

JORNALISMO CRIMINOSO
       Vera Guimarães, ombudsman da Folha de S. Paulo, reconheceu nesses dias aquilo que qualquer ginasiano antenado já sabe: o jornal trata com dois pesos e duas medidas questões envolvendo petistas e tucanos. No primeiro caso, além de manchetes sensacionalistas e, não raras vezes, facciosas, explora à exaustão os acontecimentos, que são expostos e requentados mais do que o tempo necessário. Nada de suposição, os fatos são tratados como consumados, daí a preferência dos verbos no pretérito perfeito. No segundo caso, a abordagem é sempre discreta, em pequenas chamadas mais próximas do factual, e a exposição do material sofre um processo relâmpago de apagamento. Isso quando simplesmente não ignora os acontecimentos. Nada de considerar os fatos como acontecidos, tudo é tratado como suposição, daí a preferência dos verbos no futuro do pretérito. Essa prática, em verdade, é harmoniosa e comum a todo o oligopólio midiático e aos seus fieis reprodutores nos estados. Além de agir como partido político clandestino, sem voto e sem a obrigação de responder à justiça eleitoral por seus atos, a mídia pratica um jornalismo criminoso, na medida em que ludibria os leitores incautos com a mais descarada manipulação. Quem conhece um pouco, pelo menos um pouco, das histórias e traquinagens dos donos das redações brasileiras tem pouca ou nenhuma dúvida do quanto elas são historicamente nocivas à sonhada democratização da informação no Brasil. Na dúvida, ler “O quarto poder”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, é um excelente começo.
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