O JORNALISMO DA FUTRICA E DO VENENO

O JORNALISMO DA FUTRICA E DO VENENO

       Sou de um tempo em que se distinguia matéria jornalística de texto de opinião. Ao lado do editorial, que representava sempre a voz do dono, textos de opinião apareciam com uma cercadura, sinalizando a sua distinção da matéria jornalística. Sou de um tempo, ainda, em que os colunistas sociais eram tidos como fofoqueiros e diziam que “em sociedade tudo se sabe”. Hoje a coisa esculhambou de vez. Tudo se tornou farinha do mesmo saco. A leitura de um jornal impresso, quando se tem coragem de fazê-lo, ou mesmo de um portal ligado aos mesmos grupos de mídia, já não permite saber o que é uma coisa ou outra. Deteriorou de vez. Um exemplo bem quente? O portal UOL, dos Frias, deu como manchete que “DILMA JÁ SE CONFORMA COM IDEIA DO FIM DO MANDATO”. Ao se ler o texto, não se encontra uma fonte sequer que dê amparo concreto à manchete. Tudo na base do “alguém disse”, “uma fonte comentou”, “um ministro próximo à Presidenta confessou” e por aí vai. Ou seja, mais desejo do repórter chinfrim que produziu o texto do que uma verdade factual. Daí a Presidenta, essa sim, a verdadeira fonte para tal, vem a público, desmente os lacaios dos Frias e, em menos de uma manhã, entra a manchete verdadeira: “RESIGNAÇÃO NÃO É COMIGO, NÃO”, AFIRMA DILMA”. Mas, ao publicar a verdade dos fatos, o portal não tem sequer a decência de reconhecer que sua matéria anterior não corresponde aos fatos. Dá uma de João sem braço e tudo fica por isso mesmo. Acontece, entretanto, que a mentira já ficou plantada, e o desmentido pode não ser lido por muita gente. Nessa promiscuidade em que se transformou o jornalismo, quem ainda transmite confiança são os colunistas sociais, que estão fazendo jornalismo de primeira qualidade.

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