O JORNALISMO DO DESCRÉDITO IMPRESSO

O JORNALISMO DO DESCRÉDITO IMPRESSO

       Sempre que a manchete de um jornal reflete apenas a vontade de quem a escreve e perde sintonia com o texto que representa, está-se diante de jornalismo desonesto, porque evidente fica a tentativa de manipulação do leitor. Neste caso, mais do que chamar a atenção para os fatos, a manchete representa o capricho e a vontade política, às vezes partidária, do mancheteiro. E o uso desse deplorável expediente tornou-se tão despudorado, que o autor da manchete já não consegue esconder sua própria contradição. Veja-se uma manchete de primeira página como esta: “Dilma pede socorro a governos e propõe pacto” . Logo abaixo, no lide, o próprio autor da manchete revela outros fatos: “Presidente pediu cooperação entre governos estaduais e federal e propôs um pacto nacional pela redução de homicídios”. Convenhamos, entre “pedir socorro”, que semanticamente desqualifica e fragiliza politicamente a mulher presidenta (pede socorro porque é mulher?), e “pedir cooperação” já há uma distância de sentido muito grande. Maior ainda essa distância quando se verifica, no texto escrito pelo próprio repórter do jornal, Antônio Paulo, que a presidenta não “pediu socorro” nem “pediu cooperação”, mas “propôs uma cooperação federativa para sair da crise política e econômica que (sic) o País passa”. Por essa e por tantas outras que tenho visto, o que se nota é uma predisposição cada vez mais ostensiva das redações, notadamente dos impressos, de venderem a alma à política partidária e aos interesses econômicos e deixarem o jornalismo às moscas. Não à toa, o que resta do jornalismo impresso caminha para o ralo.

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