O TROFÉU DO GOLPE(1)

O TROFÉU DO GOLPE(1)

       A capa do jornal A crítica, no dia consagrado à segunda etapa do golpe de estado, é um prato cheio para leituras discursivas. Numa perspectiva mais histórica e factual, a sua composição, de um provincianismo de causar inveja à Manaus do início do século passado, não apresenta novidade alguma. Quem acompanhou a cobertura do jornal ao longo de todo esse processo, iniciado ainda durante a campanha para as eleições de 2014, sabe muito bem de que estou falando. Há que se reconhecer, foi um trabalho dedicado e meticuloso de mancheteiros e editores que pouco ou nada fizeram de jornalismo, mas muito produziram em manipulação de fatos e distorção de verdades para seus parcos leitores. O jornal cumpriu com apurado zelo aquilo que seus congêneres da velha mídia do Rio e São Paulo ordenaram. Toda razão há, portanto, para uma edição comemorativa de tais feitos, com uma foto de página inteira do usurpador Michel Temer enlaçado pela faixa presidencial na capa. Neste sentido, uma leitura plausível, dando voz ao jornal, é a seguinte: “Demos nossa contribuição para o golpe e esse é o nosso troféu”.

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