O JORNALISMO DA FUTRICA E DO VENENO

O JORNALISMO DA FUTRICA E DO VENENO

       Sou de um tempo em que se distinguia matéria jornalística de texto de opinião. Ao lado do editorial, que representava sempre a voz do dono, textos de opinião apareciam com uma cercadura, sinalizando a sua distinção da matéria jornalística. Sou de um tempo, ainda, em que os colunistas sociais eram tidos como fofoqueiros e diziam que “em sociedade tudo se sabe”. Hoje a coisa esculhambou de vez. Tudo se tornou farinha do mesmo saco. A leitura de um jornal impresso, quando se tem coragem de fazê-lo, ou mesmo de um portal ligado aos mesmos grupos de mídia, já não permite saber o que é uma coisa ou outra. Continue lendo

GLOBO: O MORALISMO IMORAL

GLOBO: O MORALISMO IMORAL

       Não tenho estômago para assistir à Globo. Mas fico imaginando as famílias que doam seu precioso tempo para todas as noites se acomodarem diante do jornal nacional e embarcarem no episódio deprimente da manipulação. Sem a memória e a História nas mãos, tornam-se presas fáceis da engenharia ideológica da família Marinho. Tivessem essas pessoas consciência de que a Globo se vale de uma concessão pública para incensar cotidianamente um golpe contra o Estado de Direito, procurariam ocupar seu tempo de forma mais proveitosa e produtiva. Tivessem essas pessoas clareza de terem seus direitos sagrados de escolha usurpados pelos interesses privados da família Marinho, não dariam audiência ao golpismo da Globo. Tivessem essas pessoas a iniciativa de vasculhar na memória histórica que a família Marinho foi uma das maiores cúmplices do golpe civil-militar de 1964, que mergulhou o Brasil por 21 anos numa feroz ditadura que torturou, matou e nos tirou o direito de exercer cidadania, abominariam o precioso tempo de suas vidas desperdiçado com a fábrica de ilusões que é a Globo. Tivessem essas pessoas a saudável iniciativa de garimpar informações em outras fontes paralelas, saberiam que a Globo, por seus pecados e traquinagens, prega um moralismo sem moral que não tem o mínimo de amparo em suas práticas empresariais. Tivessem, por fim, essas pessoas consciência crítica dos riscos que corre a democracia brasileira, colocariam a Globo em seu merecido lugar: no mais fétido lixo da história.

E VIVA A INTERNET!

E VIVA A INTERNET!
       Tenho dito e reafirmo: a popularização da internet promoveu uma extraordinária revolução no mundo da produção de informações. Tempo houve em que a mídia tradicional, em sua onipotência, transformava seus interesses em verdades e anseios coletivos. Lembro-me até de uma emissora de rádio em Manaus que, ao final de seu noticiário, bradava em alto e bom tom: “Se a Tropical não deu, nada aconteceu”. Essa frase, para mim, é simbólica da arrogância e da prepotência com que os “formadores de opinião” viam a si e ao público, este na condição de mero receptor das “verdades”. Com essa poderosa fábrica de “verdades” em mãos, os donos das redações pintavam e bordavam, ao ponto do falecido Roberto Marinho ter mais poder que o presidente da República. Ao ponto, é bom lembrar, do oligopólio midiático ter tido uma participação decisiva no golpe civil-militar de 1964, que jogou o País nas trevas da ditadura. Pois a revolução da internet, com o advento dos portais e blogs independentes e das redes sociais, deu a cidadãs e cidadãos a condição de protagonistas, de sujeitos ativos na construção e circulação de fatos. Com isso, desbancou-se o monopólio da velha mídia como único meio de produção e circulação de informações. Resultado mais imediato: centenas de poderosos jornais e revistas impressos no mundo inteiro fecharam as portas e muitos definharam e agonizam. A mídia tradicional já não dá as cartas, já não canta de galo, não derruba mais presidentes ao sabor de seus caprichos e interesses, sempre articulados com os caprichos e interesses de ricos e poderosos. Suas “verdades” são desconstruídas e contestadas em tempo real, porque vozes outras estão sempre a postos em busca de verdades factuais. Fico aqui a me perguntar: o que seria da democracia brasileira se a estrutura midiática fosse a mesma de há cinquenta anos? Alguém duvida de que o golpe contra Dilma, Lula e o PT já teria vingado?

 

É PRECISO ALIMENTAR A CRISE!

É PRECISO ALIMENTAR A CRISE!

       A ordem nas redações do velho e surrado oligopólio midiático parece ser sempre a mesma: não medir esforços para criar um clima de terror que mantenha em alta a baixa estima da população e insista na tecla de que o governo Dilma é um caso perdido. Portanto, é proibido veicular qualquer fato positivo. Se isso for inevitável, é preciso arrumar um jeito de contrapor a ele outro ou outros fatos que o desconstruam ou desqualifiquem. Afinal, é preciso manter a panela sob pressão, para justificar o golpe. Só pra ficar em dois exemplos recentes. Continue lendo

O JOIO E O TRIGO DO JORNALISMO

O JOIO E O TRIGO DO JORNALISMO

       Não, nem tudo está perdido. Em meio à torrente do jornalismo chinfrim, que margeia os acontecimentos factuais, que não se distancia da vontade dos patrões, que omite e manipula a verdade, que é dominado pela preguiça de checar dados, que não exercita o faro para as descobertas, há, sim, gente por aí valorizando a profissão e fazendo valer seu compromisso social. Fugindo dos jornalões e jornalecos, tenho lido excelentes matérias e reportagens em blogs, portais alternativos e em alguns poucos impressos. Bem a propósito, chamou-me atenção, nesses dias, o certeiro senso de desconfiança do jornalista Fernando Molica, do jornal carioca “O dia”. Continue lendo

A DESCARADA ARTICULAÇÃO DO PiG

A DESCARADA ARTICULAÇÃO DO PiG

       Não precisa ser nenhum dedicado estudioso do assunto. A coisa se tornou tão descarada, que basta o mínimo de discernimento para perceber. E a malandragem é recorrente. Sempre que uma denúncia, seletivamente vazada ou não, atinge Lula, o Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff ou afins, ela se transforma em espetáculo e ganha manchete. Em pouco tempo, a manchete inicial se desdobra em várias outras manchetes menores, até que a página principal dos portais vinculados ao PiG – Partido da Imprensa Golpista seja inteiramente ocupada pelo mesmo tema. Continue lendo

SE FINGINDO DE MORTO

SE FINGINDO DE MORTO

       Volta e meia os donos das redações aludem a falência da velha mídia à crise econômica. Não é verdade. A maior razão da falência e do desprestígio desses veículos chama-se falta de credibilidade. Com o advento da internet, das redes sociais e dos blogs e portais alternativos, o grande oligopólio midiático e seus braços auxiliares nos estados perderam a prerrogativa de serem os únicos produtores de informação. Antes incontestáveis, suas “verdades” passaram a ser avaliadas, ponderadas e questionadas até pelo mais humilde cidadão. Não precisou muito tempo para que os alicerces desse império começassem a sofrer fissuras. Hoje, com raras exceções, cidadãs e cidadãos já não precisam mais dos atravessadores de informações. De passivos receptores, assumiram o relevante papel de protagonistas e propagadores dos fatos, dispensando intermediação. Os donos das redações, com o nariz empinado pela prepotência, não se deram conta de que os tempos mudaram e continuaram praticando o velho e surrado jornalismo da conveniência e da manipulação, amarrado aos seus interesses privados e políticos. Consequência disso e do advento das novas possibilidades e liberdades de comunicação, caminham para o descrédito sem retorno, porque brincaram e desvirtuaram o sagrado conceito de liberdade de imprensa.

JORNALISMO CRIMINOSO

JORNALISMO CRIMINOSO
       Vera Guimarães, ombudsman da Folha de S. Paulo, reconheceu nesses dias aquilo que qualquer ginasiano antenado já sabe: o jornal trata com dois pesos e duas medidas questões envolvendo petistas e tucanos. No primeiro caso, além de manchetes sensacionalistas e, não raras vezes, facciosas, explora à exaustão os acontecimentos, que são expostos e requentados mais do que o tempo necessário. Nada de suposição, os fatos são tratados como consumados, daí a preferência dos verbos no pretérito perfeito. No segundo caso, a abordagem é sempre discreta, em pequenas chamadas mais próximas do factual, e a exposição do material sofre um processo relâmpago de apagamento. Isso quando simplesmente não ignora os acontecimentos. Nada de considerar os fatos como acontecidos, tudo é tratado como suposição, daí a preferência dos verbos no futuro do pretérito. Essa prática, em verdade, é harmoniosa e comum a todo o oligopólio midiático e aos seus fieis reprodutores nos estados. Além de agir como partido político clandestino, sem voto e sem a obrigação de responder à justiça eleitoral por seus atos, a mídia pratica um jornalismo criminoso, na medida em que ludibria os leitores incautos com a mais descarada manipulação. Quem conhece um pouco, pelo menos um pouco, das histórias e traquinagens dos donos das redações brasileiras tem pouca ou nenhuma dúvida do quanto elas são historicamente nocivas à sonhada democratização da informação no Brasil. Na dúvida, ler “O quarto poder”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, é um excelente começo.

A DESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

A DESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA
       Esse novo vazamento da Operação Lava Jato, dando conta de que o governo FHC teria abiscoitado US$ 100 milhões em propina referentes a uma operação da Petrobras na Argentina, como tantos outros envolvendo figuras de outros partidos, trata-se de uma prática criminosa que põe em xeque a seriedade com que a questão vem sendo tratada pela justiça brasileira. Por outro lado, neste caso, em especial, serve mais uma vez de parâmetro para aquilatar o deplorável comportamento de grande parte da mídia brasileira, quando se trata de manter os cidadãos honestamente informados acerca de fatos que envolvem figuras do mundo político brasileiro. Imaginemos que o tal vazamento, em lugar do ex-presidente tucano, envolvesse o ex-presidente petista. Nenhuma dúvida resta de que as manchetes dos impressos e seus respectivos portais seriam generosamente escancaradas e criminalizadoras. O mundo viria abaixo. Dilma estaria encurralada. Imagine, ainda, se os tais US$ 100 milhões fossem atualizados. Estaríamos falando de algo em torno de mais de R$ 1bilhão de reais! As manchetes seriam mais escandalosas ainda. Acontece que as coisas não se deram bem assim. A questão foi tratada pela mídia ou com a discrição de sempre ou com o silêncio da cumplicidade. Ou seja, se, de um lado, a justiça desmoraliza a justiça com os vazamentos, a mídia desmoraliza a mídia ao dispensar tratamento diferenciado a fatos de igual relevância. Fosse séria a justiça, os vazamentos já teriam cessado há muito tempo e os responsáveis penalizados. Fosse séria a mídia, não trataria com dois pesos e duas medidas um ex-presidente tucano e um ex-presidente petista.

A AUTODESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

A AUTODESMORALIZAÇÃO DA MÍDIA

       O que mais causa indignação no comportamento da mídia brasileira é a recorrente tentativa de fazer dos cidadãos uma manada de imbecis, incapazes de fazer qualquer leitura da realidade que os cerca. Em tempos de internet e redes sociais, em que as pessoas têm voz ativa na percepção e disseminação dos fatos, o monopólio da verdade deixou de ser exclusividade das redações. Neste sentido, observe-se o comportamento dos jornais de Manaus em relação às mobilizações de rua acontecidas nesta quarta-feira. Quem se limitou a se informar pelo jornal A crítica nada encontrou a respeito. Continue lendo