A VOZ UNÍSSONA DO PIG

A VOZ UNÍSSONA DO PIG

       Não precisa muito espírito crítico para entender as razões subterrâneas da chamada banda podre da mídia brasileira. Basta exercitar um pouquinho de memória. Até o encontro das águas dos rios Negro e Solimões sabe, por exemplo, o quanto essas redações investiram na figura de Fernando Collor de Mello. Até cunharam para ele o nobre título de “o caçador de marajás, lembram-se? À época, valia tudo pra derrotar o metalúrgico. Todos sabemos como terminou a história. Quando perceberam que Collor não lhes tinha mais serventia, tiraram a escada e deixaram o “caçador de marajás” pendurado no pincel. Continue lendo

AOS AMIGOS DA MÍDIA, A PROTEÇÃO

AOS AMIGOS DA MÍDIA, A PROTEÇÃO

       Já lembrei em algum momento. O carinho com que a mídia trata o senhor Fernando Henrique Cardoso é de um jeitinho quase maternal. Tudo o que ele diz, por mais estapafúrdio que seja, merece sempre destaque e relevância. E tudo o que pode, direta ou indiretamente comprometê-lo, recebe um manto protetor que só o carinho materno pode dar. Querem um exemplo recente? Nesses dias, descobriu-se que os negócios feitos pelo mais tucano dos senadores petistas, Delcídio do Amaral, quando ocupava uma diretoria da Petrobras na época do governo FHC, rendeu prejuízos superiores aos do episódio da refinaria de Pasadena e boa propina ao senador. Como, então, dizer isso em uma manchete sem arranhar o nome do príncipe da sociologia? Simples. Isolar Delcídio nas palavras mágicas da manchete: “USINAS DA GESTÃO DELCÍDIO DERAM MAIS PREJUÍZO QUE COMPRA DE PASADENA”. Pronto! Foi assim que a turma dos Frias, do portal UOL, resolveu o problema. Afinal, a figura do príncipe não deve ser maculada com essas coisas pequenas de pobres mortais. Se o caso envolvesse um suposto vizinho de Lula, aí seria diferente. Aos amigos da mídia, tudo.

A REINVENÇÃO DO JORNALISMO

A REINVENÇÃO DO JORNALISMO
       Poucos dias depois da sanção da Lei de direito de resposta pela Presidenta da República, é possível notar que o jornalismo já não exala aquele desagradável cheiro de esgoto de antes. Disso decorrente, parece-me possível construir duas inferências. De um lado, fica evidente que as redações que praticam ou passaram a praticar um bom jornalismo, calcado em elementos factuais e opiniões honestas, não têm dificuldade alguma de conviver com a nova legislação. De outro lado, a Lei de direito de resposta está tendo um papel pedagógico extremamente importante para o resgate e mesmo a reinvenção do velho e bom jornalismo de qualidade, assegurado por fontes confiáveis, pautado pelo cuidado meticuloso na investigação e livre da canalhice da seletividade politicamente matreira das manchetes. Não há como negar que o senador Roberto Requião, autor do projeto que se transformou em lei, fez um golaço em favor da democracia e do bom jornalismo.

 

MUITO CUIDADO COM O DITO!

MUITO CUIDADO COM O DITO!

O jornalista Rubens Valente não é nenhum neófito. Tem quilometragem rodada por várias redações. Tem um bom livro publicado, ” Operação banqueiro”. Não pode, portanto, se dar o direito de cometer gafes como a do trecho abaixo, onde a Presidência da República acaba sendo “responsável” pela “compra” de medidas provisórias. Ele atirou no que viu e acertou no que não viu. Deve, senão um direito de resposta, pelo menos um esclarecimento seguido de retificação no texto. “Foram denunciadas 16 pessoas (na Operação Zolotes) sob acusação de envolvimento nas negociações para “compra” de edição de medidas provisórias PELA Presidência da República que beneficiaram o setor produtivo” .

AS PEQUENAS GRANDES NOTÍCIAS

AS PEQUENAS GRANDES NOTÍCIAS

       Haveria um certo masoquismo nas redações dos jornais a determinar o apreço pelas coisas ruins? Empiricamente trabalho com a impressão de que sim. Às notícias boas reservam-se sempre cantinhos de página ou tripinhas de colunas sempre escondidas, como se fosse vergonhoso mostrar que o mundo e a vida também são feitos de bons acontecimentos. Querem um exemplo? Quantos jornais estamparam em primeira página, em letras garrafais, a extraordinária notícia de que nos últimos 15 anos a fome no mundo diminuiu 27%? Continue lendo

O SAGRADO DIREITO DE RESPOSTA

O SAGRADO DIREITO DE RESPOSTA

       Vibrei com a aprovação do projeto do senador Roberto Requião que estabelece procedimentos para a publicação do direito de resposta na mídia. Observador que sou da área, sempre achei um absurdo alguém plantar-se numa redação e se achar no direito de atentar contra a honra, a intimidade, a reputação e a imagem de quem quer que seja e a coisa ficar impune, sem o direito líquido e certo de ocupar o mesmo espaço para o contraditório. Quando muito, alguns órgãos de imprensa publicavam num cantinho quase invisível da página um “erramos”, o que nunca correspondia ao tamanho do estrago já feito. Revistas, jornais, TVs, rádios e portais pensarão duas vezes antes de darem vida a um texto sem o amparo da verdade factual. Bravo, senador Requião!

SOBRE A MÁQUINA DE ASSASSINAR REPUTAÇÕES

SOBRE A MÁQUINA DE ASSASSINAR REPUTAÇÕES

       O jornal O Globo, como já viralizou na internet, se viu obrigado a retratar-se de uma mentira sobre o filho do ex-presidente Lula, publicada no topo da primeira página, em manchete bombástica, com letras garrafais e em negrito, sob o título “Baiano diz que pagou contas do filho de Lula”. O jornal dos Marinho reconheceu que o nome do filho de Lula sequer fora citado pelo delator Fernando Baiano. Ou seja, o jornalista Lauro Jardim, egresso (ora vejam só!) da revista Veja tinha publicado uma baita mentira. Com o reconhecimento da mentira, Continue lendo

A CONVENIENTE AMNÉSIA MIDIÁTICA

A CONVENIENTE AMNÉSIA MIDIÁTICA

       Seu nome é bem conhecido. Ele é da direitona e é egresso da Arena, partido que deu sustentação aos militares no poder. Desde as eleições do ano passado, vem atuando como dedicado apoiador técnico de Aécio Neves em práticas golpistas. Nas manifestações pelo impítman e contra a corrupção lá está ele, trajando sua camisa da CBF e sempre disposto a vociferar contra os corruptos. Os outros, é claro. Chega a ser rodeado pelos fãs e distribui autógrafos a alguns manifestantes jovens, admiradores de sua verve e de sua eloquência em defesa do caráter retilíneo, da moral e dos bons costumes da tradicional família brasileira. Continue lendo

A MÍDIA AMIGA DO CUNHA

A MÍDIA AMIGA DO CUNHA

       Sabem o Eduardo Cunha, aquele dos US$ 5 milhões em contas secretas na Suíça? Isso mesmo, aquele que está sendo investigado pelo STF. Ele é um cara muito querido pela mídia brasileira. Querem um exemplo quentinho? Abro o jornal e lá está matéria produzida pela Folhapress sobre os pedidos de impítman. E a voz de Cunha ecoando por entre as linhas do texto, dando conta de sua retidão e nobreza como presidente da Câmara. Em momento algum, nem numa caixinha ou no cantinho do texto, nada, absolutamente nada lembrando ao leitor desavisado, pelo menos, que a justiça Suíça confirmou oficialmente à PGR que o senhor Cunha mantém quatro contas secretas na Suíça, fato que ele tinha negado peremptoriamente aos seus colegas da CPI da Petrobrás. É a velha mídia, criadora, protegendo suas criaturas.

A SENTENÇA DE MORTE EM VIDA

A SENTENÇA DE MORTE EM VIDA

       O percurso do texto não era bem esse. Escreveria algo mais técnico. Uma reflexão complementar, uma contribuição para ajudar a esclarecer a falsa polêmica em torno do livro didático “Por uma vida melhor”, da pesquisadora Heloísa Ramos, acusada na mídia de fazer apologia ao uso “errado” da língua portuguesa. O caso se deu há algum tempo, estão lembrados? Acontece que, já diante do computador, dei-me conta, por entre alguns papéis, de um recorte de jornal, já querendo amarelar, com um artigo de Lino Chíxaro chamado “Uma lição para o jornalismo”. Continue lendo