E O JORNALISMO VAI PRO RALO

E O JORNALISMO VAI PRO RALO

       Não está fácil garimpar jornalismo sério na mídia brasileira. Nesses dias, capturei no jornal Folha de S. Paulo uma pérola digna do prêmio “malandragens jornalísticas do ano”. Vejam só: “RUMORES apontam que o lobista Fernando Baiano TERIA citado Michel Temer no acordo de delação premiada”. Ao apontar “rumores” como sua fonte e associá-lo ao verbo no futuro do pretérito (“teria”), o pseudojornalista pratica a feitura de um texto que lembra os colunistas sociais (os de hoje fazem jornalismo!) de trinta anos atrás, tidos como emissários da fofoca e do disse-me-disse. Pobres alunos de comunicação… Convivem com o pior do jornalismo. Ou com o pouco que resta dele.

OTAVINHO PRA PRESIDENTE!

OTAVINHO PRA PRESIDENTE!

       Otávio Frias, chamado Otavinho, é dono da Folha de S. Paulo. Sim, o jornal que prestou relevantes serviços à ditadura, cedendo, inclusive, veículos de sua frota para auxiliar os órgãos de repressão. Nada natural, portanto, que anos depois o jornal tenha se referido aos anos de chumbo como “ditabranda”, porque ditadura na dor alheia é refresco. Pois nesses dias, o jornal do Otavinho publicou um editorial, acreditem, se quiserem, dando um ultimato à Presidenta da República, com ameaças explícitas. Continue lendo

A CÍNICA ARMA DA OMISSÃO

A CÍNICA ARMA DA OMISSÃO

       Nada mais triste do que a inocência útil. E a banda podre da mídia brasileira, justiça se faça, tem excelência em fabricar essas buchas de canhão. Causou o maior fuzuê com o rebaixamento da nota do Brasil pela tal agência S&P, inflou o ego dos golpistas de plantão, mas escondeu a informação factual de que hoje seria necessário rebaixar a nota do País 4 (quatro!) vezes para que o governo Dilma chegasse ao nível do governo do príncipe FHC. Com isso, a banda podre continua cumprindo o seu papel histórico de golpista e inimiga da democracia.

A CASA DE FERREIRO E O ESPETO DE PAU DA MÍDIA

A CASA DE FERREIRO E O ESPETO DE PAU DA MÍDIA

       No sentido mais clássico do termo, o papel da mídia é informar. Sempre que omite ou esconde uma informação de seus leitores, está praticando desonestidade explícita. Como bem lembrou Alberto Dines, “jornais existem para testemunhar”. Ao criar toda forma de artimanha para não dar publicidade à demissão de sessenta jornalistas e explicitar suas razões, a turma comandada pelos Marinho, de O Globo, incorre nessa prática desonesta. Tudo bem que isso não represente novidade, em se tratando do grupo Globo, Continue lendo

VASTAS TRAQUINAGENS E MANIPULAÇÕES IMPERFEITAS

VASTAS TRAQUINAGENS E MANIPULAÇÕES IMPERFEITAS

       As velhas e cansadas redações não têm mais pruridos, não têm mais pudor, não fazem mais nenhum esforço pra disfarçar que não estão praticando jornalismo, mas política partidária no sentido stricto sensu. Esse último episódio escancarou a traquinagem e mandou o jornalismo para os confins do inferno. Tudo começou com o depoimento do doleiro Alberto Youssef na CPI da Petrobras, reafirmando que o candidato derrotado à Presidência, Aécio Neves, havia recebido propina na famosa Lista de Furnas. Continue lendo

PARA ENTENDER A MÍDIA

PARA ENTENDER A MÍDIA

       Quais possíveis leituras você faria da seguinte manchete, divulgada esses dias no canal Globo News? “Filho de Ivo Pitanguy está internado em estado grave após acidente com morte”. Numa possível leitura, o filho de Pitanguy teria sido vítima de um acidente, com a morte do responsável. Numa outra, alguém teria causado o acidente que causou a morte de uma pessoa e deixou o filho de Pitanguy em estado grave. Uma coisa é certa e pode ser depreendida da manchete sem nenhum esforço: a pessoa que ficou em estado grave tem referência social, não é qualquer um, mas filho do famoso cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Continue lendo

DOIS PESOS E UMA NOTÍCIA

DOIS PESOS E UMA NOTÍCIA

       No sábado, véspera dos protestos contra o governo, o jornal A crítica se saiu com uma manchete na primeira página que mais soava como convite e estímulo: “Impeachment nas ruas”. Em seguida, uma página inteirinha sobre o tema. Hoje, véspera das mobilizações dos movimentos sociais em prol da democracia, nenhuma linhazinha sequer sobre o assunto. Pergunta pueril: de qual lado está o jornal? Pergunta óbvia: Como levar a sério a mídia?

A INSUSTENTÁVEL FORÇA DO MANCHETEIRO

A INSUSTENTÁVEL FORÇA DO MANCHETEIRO

Bem que ele se esforçou. Seu entusiasmo, sua crença e sua profissão de fé resultaram na primeira manchete. Bombástica previsão na véspera das manifestações, com o jornal de domingo circulando na tarde de sábado! Isso é que é botar fé no golpe. Muito mais que um convite! “Impeachment nas ruas”. Pronto! A depender de seu particular desejo, estava antevendo a nova Queda da Bastilha. Continue lendo

O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

       O Brasil convive com três crises simultâneas. A primeira é a fabricada pelas manchetes da velha mídia. Se a situação econômica fosse o que elas mostram, já estaríamos todos nos confins do inferno. A segunda é a crise real, com retração da economia, que nem de longe se compara com tantas outras situações periclitantes por que o nosso País já passou. Para os mais antigos, basta fazer um esforço de memória. Para os mais jovens, basta mergulhar um pouco na História. Continue lendo

O DESESPERO BATE À PORTA DE VEJA

O DESESPERO BATE À PORTA DE VEJA

       A coisa não está nada fácil mesmo para as bandas da redação da revista Veja, da cambaleante editora Abril. Acaba de pintar aqui em minha frente, nas redes sociais, um anúncio que beira o desespero: “Volte agora!”, num apelo dramático para trazer de volta leitores que se deram conta do jornalismo chinfrim da revista e bateram em retirada. De lambuja, é oferecido aos desertores da Veja um desconto de 50% na assinatura de doze meses. O próximo passo, para reduzir o encalhe, pode ser implorar aos leitores que aceitem a revista sem ônus algum, o que não será fácil.