O TRAFICANTE E O GOLPISTA

O TRAFICANTE E O GOLPISTA

Há muitas semelhanças entre os dois. O traficante viola o Código Penal, enquanto o golpista viola a Constituição do país. O primeiro quer o enriquecimento fácil e, para isso, dribla a lei; já o segundo quer a facilidade de chegar ao poder e, para isso, não hesita em quebrar as regras democráticas das eleições. O traficante, com sucessivas transgressões, alimenta sua compulsividade em busca de seus intentos criminosos; já o golpista, feito um boneco replicante, alimenta de forma incansável sua mente ardilosa em busca de pretextos que possam saciar seu espírito autoritário e oportunista. Ao primeiro, pouco importa a tragédia de suas vítimas gerada pela dependência do seu comércio torpe; ao segundo, nada significam as trágicas consequências políticas e sociais com a quebra do Estado de Direito. Um e outro são extremamente nocivos e indesejáveis em qualquer sociedade que se diga moderna.

A CRISE DOS GOLPISTAS

A CRISE DOS GOLPISTAS

       Mas afinal, que diabo de crise é essa? Em 2002, o último ano do governo do senhor Fernando Henrique Cardoso fechou com uma taxa de inflação de 12,53%. A previsão para 2015 é de 9,2%, se o cenário não melhorar. Em 2002, o mesmo governo tucano fechou o ano com o desemprego na casa dos 12,6%. A prévia para 2015 sinaliza 6,9%. Vão procurar coisa decente pra fazer, seus golpistas, e deixem a democracia do nosso Brasil em paz!

UM TEXTO NO MEIO DO CAMINHO

UM TEXTO NO MEIO DO CAMINHO

       Quem compra o doloroso e exaustivo desafio de escrever sabe disso. A relação entre o sujeito e o texto nem sempre é amistosa. Muito pelo contrário. O leitor que não se mete nessa encrenca embarca mesmo na ilusão de que escrever é um ato rotineiro como qualquer outro e não implica maiores sacrifícios. Engano. Ledo engano. Não é bem assim. É certo, dependendo de razões que a própria razão desconhece, há situações passivas em que o texto em construção fica sob controle absoluto. Como se a gente dissesse: Olhe aqui, quem manda em você sou eu! Continue lendo

O JORNALISMO DO DESCRÉDITO IMPRESSO

O JORNALISMO DO DESCRÉDITO IMPRESSO

       Sempre que a manchete de um jornal reflete apenas a vontade de quem a escreve e perde sintonia com o texto que representa, está-se diante de jornalismo desonesto, porque evidente fica a tentativa de manipulação do leitor. Neste caso, mais do que chamar a atenção para os fatos, a manchete representa o capricho e a vontade política, às vezes partidária, do mancheteiro. E o uso desse deplorável expediente tornou-se tão despudorado, que o autor da manchete já não consegue esconder sua própria contradição. Continue lendo

OS PERIGOS DA INSANIDADE POLÍTICA

OS PERIGOS DA INSANIDADE POLÍTICA

       No filme “O julgamento de Nuremberg”, há uma cena em que um dos oficiais julgados tem um lampejo de autocrítica e registra em sua fala que o nazismo foi montado em cima de chavões. Domesticadas pelos chavões, as pessoas perdem a capacidade de pensar, que é a mais extraordinária virtude do ser humano. A partir daí, as elas se limitam a obedecer direções. E, de fato, assim se deu no regime nazista de Hitler, quando se plantou que o bode expiatório da sociedade alemã eram os judeus e outras minorias. O resto da história a gente conhece. Continue lendo

BREVÍSSIMA AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

BREVÍSSIMA AULA (GRATUITA) DE ANÁLISE DO DISCURSO

       No discurso, muitas vezes o que se diz serve de pista preciosa para fatos que deixam de ser ditos. Nesses dias, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, nos deu um contundente exemplo disso, ao afirmar que “não existe mais no País cidadão acima da lei ou livre de se submeter às decisões judiciais”. Ora, por trás da marca visível “não existe mais”,  Janot está reconhecendo dois fatos inquestionáveis: 1o) Até há pouco tempo havia, sim, cidadãos acima da lei no Brasil, ou seja, vigorava a impunidade; 2o) O País passou por uma importante transformação em suas estruturas judiciais e hoje não convive mais com os cidadãos “acima de qualquer suspeita”. Para o bom entendedor, meio discurso basta.

A CRISE REVELA VERDADES

A CRISE REVELA VERDADES

       Ah! A História, sempre implacável. Muitas vezes, uma crise é providencial pra trazer à tona verdades factuais e históricas peremptoriamente negadas pelos reaças de plantão. Aí, você abre o jornal e se depara com a seguinte manchete: “Classe C deixa de comprar carro novo”. Ou seja, pela lógica discursiva, se deixou de comprar é porque comprava. Se comprava, é porque passou a ter condições para tal. Aí, você lê o primeiro parágrafo e lá está a confissão: “Principal responsável pelo crescimento contínuo das vendas de carros novos por quase dez anos, até atingir o recorde de 3,8 milhões de unidades em 2012, a classe C já não faz a festa da indústria automobilística”. Mais um dado: a classe C fazia a festa da indústria automobilística. Pronto! A tal crise traz à tona a verdade factual e histórica: a classe C melhorou seu poder aquisitivo, ao ponto de comprar carro zero nos governos Lula e Dilma. PT saudações.

ENSAIO SOBRE O FUXICO

ENSAIO SOBRE O FUXICO

       Não, não se trata de um tema banal. Foi, inclusive, pivô de um tremendo alvoroço já faz algum tempo. Espalhou-se com a velocidade de um raio a notícia. Amazonino Mendes, então prefeito de Manaus, teria se referido com desdém à comunidade dos tuiteiros, taxando-os de fuxiqueiros. A turma se sentiu ofendida. Numa demonstração de eficiência e importância do funcionamento dessa rede social, em pouquíssimo tempo a indignação ganhou a rua, ou melhor, os computadores e celulares de milhares de adeptos do Tuíter. Continue lendo

…E O VIRALATISMO BRASILEIRO REINA FORTE

…E O VIRALATISMO BRASILEIRO REINA FORTE

Que o País vive uma situação econômica desconfortável, reflexo da crise que persiste mundo afora, não tenho dúvida. Mas não tenho dúvida, também, de que se vive uma profunda crise de viralatismo, fruto de uma cruel e bem engendrada orquestração reacionária, com apoio irrestrito da banda podre da mídia, com vistas a neutralizar as inúmeras conquistas sociais dos últimos doze anos. Quantos países gostariam de estar comemorando o feito de terem cumprido a meta do milênio de redução da fome e da pobreza? Continue lendo

A GLOBO POR UM GLOBAL

A GLOBO POR UM GLOBAL

Dizer que a rede Globo é nociva à democracia, pelo seu histórico de golpismo e manipulação, pode até soar como coisa de esquerdista praticante de teoria da conspiração. Mas ganha um outro sentido bem factual quando dito por alguém que convive há trinta anos nas entranhas da emissora e corajosamente sai de sua zona de conforto. Foi o que aconteceu com o ator Pedro Cardoso. Em entrevista à TV UOL, deixou pruridos globais de lado, mexeu na ferida e sintetizou magistralmente o efeito deletério do império dos Marinho e congêneres: “A TV constrói um país que não é verdadeiro”. Mais do que isso, só desenhando.