A POÉTICA DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

A POÉTICA DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Meu sentimento de leitor anda encantado com o livro “Os inovadores – uma biografia da revolução digital”, de Walter Isaacson, da editora Companhia das Letras, lançado em 2014. Trata-se daquele tipo de leitura que, quanto mais você mergulha, mais mergulhos quer dar. À primeira vista, pode soar estranho para quem, como eu, teve formação acadêmica na área de Humanas e fez uma breve incursão de nove anos na área de gestão em CT&I nos últimos anos. A resposta para esse deslumbre encontro em duas premissas que sempre carreguei comigo e que a densa obra de Isaacson confirma, de maneira alegre e categórica, em cada uma de suas páginas. Continue lendo

MACHISMO E IGNORÂNCIA: TUDO A VER

MACHISMO E IGNORÂNCIA: TUDO A VER

Os indicadores são alarmantes. Acabo de ler que, pelo menos, 51% dos homens se recusam a procurar um urologista. Dentre outras razões ridículas, alegam “ter medo do toque retal”. Como é que é? Medo de um procedimento médico que, associado a um simples exame de sangue (PSA), pode diagnosticar em favor da vida, evitando a morte de milhões e milhões no Brasil e mundo afora? Fico aqui a conversar com meus botões. Muitas dessas criaturas são tão machões para tantas coisas, inclusive admitir e demonstrar que são machões, mas tão covardes e ignorantes quando se trata de, em prol da própria vida, provar que são homens.

 

O DURO OFÍCIO DA ESCRITA

O DURO OFÍCIO DA ESCRITA

Já faz um bom tempo e foi uma interessante coincidência. Havia assumido comigo mesmo o compromisso. Seria a última tentativa para encontrar, naquele momento e dentre dezenas de canais, um que estivesse com uma programação decente. Caso não desse certo, clicaria com frieza o botãozinho do controle remoto e iria cantar em outra freguesia. Contei até três e apostei aleatoriamente no próximo canal. Captei o final das palavras do entrevistador. Perguntava ele sobre o prazer dela já ter produzido diversas obras de referência para a literatura brasileira e continuar escrevendo semanalmente crônicas para o jornal O Estado de S. Paulo. Continue lendo

O PAPA CHICO APOIA DILMA

O PAPA CHICO APOIA DILMA

O Papa Chico continua me surpreendendo. A cada movimento, a cada gesto, a cada frase certeira ele me anima a voltar a acreditar no verdadeiro papel da Igreja Católica no mundo. Ao manifestar sua compreensão de que “a concentração monopolista dos meios de comunicação é um colonialismo ideológico”, o Papa Chico põe o dedo na ferida e escancara o efeito deletério das ditaduras midiáticas, das quais o Brasil é exemplo. Por tabela, corrobora a premente necessidade, defendida pela Presidenta Dilma Rousseff, da regulação econômica dos meios de comunicação em nosso País. Salve, Papa Chico, você nos motiva a acreditar na possibilidade de um mundo melhor, mais justo, mais harmonioso, mais livre e progressista. Esse ateu aqui é seu fã.

A VOZ QUE CONVÉM À MIDIAZONA

A VOZ QUE CONVÉM À MIDIAZONA

“Então tá combinado. A Operação Zelotes, calcula-se, resultou em R$ 19 bilhões em sonegação aos cofres públicos, três vezes o valor da Lava Jato. Muita gente graúda envolvida. Mas, para o grande público, nada de grandes investigações jornalísticas. Afinal, não rende denúncias nem vazamentos contra políticos e aliados do Governo Federal. Sobre a Lista do HSBC, por sua vez, já dissemos o que tinha de ser dito.É bom não atiçar o que está comportado. Afinal, tem gente nossa envolvida na evasão de divisas, como a família Marinho, os Frias, os Saad, gente da editora Abril e por aí vai. Uma notinha ou outra, pra acalmar os ânimos, é suficiente. Continue lendo

MINHA DISCORDÂNCIA COM O BORGES

MINHA DISCORDÂNCIA COM O BORGES

Não, não concordo com o Borges. Afinal, não dá pra aceitar que o leitor seja um ser passivo, apenas um repositório daquilo que ele literalmente absorve de um livro. O leitor é muito mais que isso. Ele tem aquilo que Bakhtin chamou de “atitude responsiva ativa”. Em outras palavras, simultaneamente ao contato com o texto, vai construindo, mesmo silenciosamente, o seu próprio texto: incorpora o dito pelo escritor, discorda, faz reparos, acrescenta detalhes, apresenta alternativas diferentes das que estão sendo postas, omite-se covardemente, reage com intolerância, torna-se cúmplice, entra em conflito, emociona-se, é levado a sonhar, a ficar perplexo, além de tantas e tantas outras reações por ele mesmo imperceptíveis, uma vez que decorrem daquilo que os estudiosos da linguagem chamam de formação discursivo-ideológica.
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UM FRANCOATIRADOR ANTIPETISTA NA REDAÇÃO DE A CRÍTICA

UM FRANCOATIRADOR ANTIPETISTA NA REDAÇÃO DE A CRÍTICA

Elaborar manchetes descoladas dos fatos relatados no corpo da matéria, expressando apenas a vontade, o capricho e a convicção ideológico-partidária do mancheteiro ou de seus chefes, é uma cruel forma de manipulação, além de ostensiva desonestidade com a boa fé do leitor, na medida em que tenta idiotizá-lo. Pois há um francoatirador na redação de “a crítica” que tem se especializado nessa prática. Com um detalhe: sua preferência são manchetes que, de alguma forma, possam atingir o governo petista, seus líderes ou mesmo admiradores. Nesses dias, impressionou-me uma de suas pérolas. “ORDEM PARA DERRUBAR FLORESTA”, estampou em sua manchete.
No lide, arrematou com o seguinte absurdo: “Partiu do Palácio do Planalto, e o ministro Patrus Ananias anunciou a derrubada de 12 milhões de hectares para a reforma agrária”. Continue lendo

O CBA E O MINISTRO QUE TROCOU SEIS POR MEIA-DÚZIA

O CBA E O MINISTRO QUE TROCOU SEIS POR MEIA-DÚZIA

Nada há de novo no horizonte do Centro de Biotecnologia da Amazônia. Ao decidir que o CBA sai da tutela da Suframa e passa à tutela do InMetro, o ministro Armando Monteiro Neto, do MDIC, apenas promove a singular troca de seis por meia-dúzia. O Centro continuará arquejando na dependência de convênios temporários e de pessoal temporário, raiz de seus problemas nos últimos 13 anos. O que o CBA precisa, para cumprir seus reais objetivos, é ter vida própria, orçamento definido, autonomia administrativa e financeira, rapidez nas decisões, quadro permanente de servidores e equipes de pesquisadores com salários altamente competitivos. Aí, sim, ele estaria à altura para contribuir com o antigo sonho da geógrafa Bertha Becker: buscar na economia a solução essencial para a preservação da Amazônia, tendo como base princípios científicos e tecnológicos. Numa tradução bem literal, significaria tirar pesquisas das prateleiras e transformá-las em produtos, em códigos de barras, em riqueza e renda, interrompendo de vez a centenária e nociva fórmula de exportar nossas matérias-primas a preços vis e receber de volta, para consumo, produtos caros e sofisticados. A troca proposta pelo ministro, entretanto, continuará apenas alimentando a anta branca.

O ATRASO DO ATRASO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

O ATRASO DO ATRASO NO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Eric Sena, o mancebo de 12 anos aqui de casa, fez prova de Língua Portuguesa nesses dias. Um dia antes, pediu-me que escutasse a revisão do que havia estudado. Sua técnica é assim. Lê o material e, depois, pede a mim ou à sua mãe para ouvi-lo e, eventualmente, corrigirmos ou darmos alguma sugestão. Para meu desalento, a prova abordaria questões puramente teóricas de ordem sintática: o que é sujeito, sujeito simples e indeterminado, oração sem sujeito, tipos de predicado e por aí afora. Sobre leitura, compreensão de textos e produção escrita, nada! Triste constatação: os professores de Língua Portuguesa continuam, décadas depois de extraordinários avanços no campo da linguística aplicada, massacrando seus alunos do ensino fundamental com pura gramatiquice, em lugar de privilegiarem a prática do efetivo uso da língua materna, acompanhada das práticas permanentes de leitura e produção textual. A lógica mais elementar, e Paulo Freire foi o grande precursor desse caminho, manda que qualquer processo pedagógico, para ter resultados mais efetivos, parta do conhecido para o desconhecido, ou seja, da prática para a reflexão sobre a prática. Tudo está a indicar, entretanto, que a maioria dos professores de Língua Portuguesa prefere continuar na contramão da ciência e dos fatos. Pobres alunos.