A QUEDA DO IMPÉRIO GOLPISTA

A QUEDA DO IMPÉRIO GOLPISTA

       Os fatos evidenciam com todas as letras: os líderes moralistas articuladores do golpe estão enlameados até a medula. Michel Temer aparece de novo nas delações, como receptor de propina no valor R$1,5 milhão. Por enquanto. Sem contar com o fato de ser ficha-suja. Aécio Neves, por sua vez, bate todos os recordes e aparece pela décima vez nas delações. Agora, acusado de receber R$ 1milhão em propina e comprar 50 deputados para se eleger presidente da Câmara. Por onde ele passa, vai impregnando o ambiente com o odor insuportável da corrupção. Já Eduardo Cunha tornou-se uma espécie de zumbi e espalha rastros de podridão por todos os cantos. Deve receber tornozeleira eletrônica e devolver aos cofres públicos em torno de R$ 100 milhões. Ora, se a devolução chega a esse montante, imagine-se o que foi roubado! Afinal, o que falta para os golpistas seguirem rumo à cadeia, Dilma Rousseff reassumir o cargo para o qual foi eleita e se restabelecer a democracia?

SOB O SIGNO DA LUCIDEZ

SOB O SIGNO DA LUCIDEZ

Nada melhor que a ida descomprometida a uma livraria. Aquele paciente ritual de percorrer as diversas prateleiras, flertando com capas, contracapas, orelhas e sumários, não raras vezes é recompensado com alguma descoberta surpreendente. Sempre acontece comigo, como há poucos dias, quando me deparei com uma obra tão fascinante, que me vi obrigado a negociar comigo mesmo o desrespeito à enorme fila de livros que, por hábito, estou sempre organizando sobre a minha mesa de trabalho. Continue lendo

A TEMERÁRIA SAGA DE TEMER E SEUS BONS COMPANHEIROS

A TEMERÁRIA SAGA DE TEMER E SEUS BONS COMPANHEIROS

       A história se deu assim. Temer, o traíra do Jaburu, convidou um grupo de bons companheiros para dar sustentação ao golpe que ele planejara com Eduardo Cunha, o correntista suíço. Em menos de trinta dias, 2 deles se viram obrigados a sair de fininho, encalacrados na Lava Jato, Romero Jucá à frente. Restaram 15, dos quais 9 lembrados pelos delatores da Lava Jato e 6 com folha corrida tingida por diversas investigações outras. Do grupo dos 9, hoje foi a vez de Henrique Eduardo Alves bater em retirada, alvejado que foi pelo afiado machado do ex-senador tucano e delator Sérgio Machado, ex-presidente da Transporto. Restam, ainda, 14 já bem além de maduros, fazendo malabarismos para não cair da árvore, inteiramente podre por dentro. Pra completar o quadro, Temer, o usurpador, entrou na linha direta da propina de Machado. Revoltado, o traíra reuniu seus bons companheiros no Planalto e afirmou que as denúncias de Machado são “levianas”. Machado não contou dúvida. Partiu para o confronto. Emitiu uma nota rebatendo as alegações de Temer, o golpista, e confirmando ter-lhe repassado um gracioso mimo de R$ 1,5 milhão em propina para a campanha de Gabriel Chalita em 2012. Como se pode ver, a coisa ficou tensa. Independente, porém, do próximo desfecho, já há dados suficientes para a pergunta: isso é um governo interino ou uma quadrilha de saqueadores?

O LUGAR SOCIAL DE SEVERINO

O LUGAR SOCIAL DE SEVERINO

O que fala não é apenas a palavra, mas o todo social. Traduzindo em miúdos, a força de sentido e de verdade de uma manifestação linguística não está amparada somente nas palavras, orações ou períodos de quem enuncia, como acreditam os gramatiqueiros de plantão. Dentre o conjunto de fatores que balizam e sustentam o que dizemos em quaisquer circunstâncias, o lugar social que ocupamos é determinante e refletirá sempre uma certa forma de correlação de forças. Mas, para melhor entendermos esse princípio, faz-se necessário apelar para o senso didático de professor. Continue lendo

A DAMA DO NOVO SÉCULO

A DAMA DO NOVO SÉCULO

Fui buscar na memória e nos guardados. Evita Perón e Imelda Marcos foram as grandes damas perdulárias do século 20. Registra-se que a ex-primeira dama argentina tinha 1200 vestidos, 600 casacos de pele e 900 pares de sapatos. Já a ex-primeira dama filipina mantinha em seu guarda-roupa 3000 pares de sapatos, 200 cintas-ligas, 1000 meias-calças e 500 sutiãs, sendo um à prova de balas. Oficialmente não se sabe a origem do numerário para cobrir tamanha paixão por roupas e sapatos. Já para este início de século 21, tudo indica que a grande candidata a dama mais perdulária, por enquanto, chama-se Cláudia Cordeiro Cruz, ex-jornalista da Globo e mulher do correntista suíço Eduardo Cunha. Mesmo sem discriminar seus mimos, tem-se notícia de que a primeira dama da Câmara dos Deputados torrou R$ 1 milhão em sapatos e roupas, o que, certamente, se vivas fossem, deixaria Evita e Imelda com a pulga atrás da orelha. De acordo com a PGR, o grosso numerário de Cláudia teve origem em propinas recebidas pelo marido e depositadas em contas não declaradas na Suíça. A disputa neste século começa, portanto, com uma candidatura de peso.

(Com ilustração de Jack Cartoon)

A ORFANDADE DE TEMER

A ORFANDADE DE TEMER

       Em discurso dirigido a um grupo de pastores evangélicos e que viralizou nas redes sociais, Temer, o predador, com sua voz cavernosa de mordomo do Conde Drácula, afirmou com convicção que “as tarefas difíceis eu entrego à fé de Eduardo Cunha”. A que nível de irresponsabilidade chegou Temer, o usurpador: entregar à fé de um meliante os maiores desafios do País. Pois bem, com a iminente cassação de Cunha e sua coleção de processos no STF, Temer, o traíra do Jaburu, ficará órfão de um grande parceiro que se alimenta de um terrível espírito vingativo. E, pelo que tudo, indica, não caminhará sozinho ao cadafalso. Como Temer é Cunha e Cunha é Temer, com a merecida tragédia dos dois o Brasil pode retomar o caminho de sua democracia.

O ESTRANHO MUNDO DO STF

O ESTRANHO MUNDO DO STF

       Ando com a cuca meio enviesada com as últimas decisões dos doutos ministros do Supremo Tribunal Federal. Vejam se não tenho razão. Afastaram Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Ele estaria usando o cargo pra manipular interesses pessoais. Mas acharam natural ele ter aceito e presidido a votação do tal impítman. Defesa de Dilma levantou suspeita sobre o relator do processo no Senado, Antonio Anastasia, que, além de tucano, interessadíssimo no afastamento da Presidenta, é a figura mais próxima de Aécio Neves, patrocinador primeiro do impítman. Mas o ministro Lewandowski não vê motivo algum para afastá-lo da relatoria. Continue lendo

O TAMANHO DO GOLPE

O TAMANHO DO GOLPE

       É da natureza de todo golpista o uso da dissimulação para praticar seus crimes contra a democracia. No Brasil, entretanto, a desfaçatez e o descaramento são tão ostensivos, que os golpistas se recusam a ouvir, como testemunha de defesa da Presidenta Dilma, Luiz Carlos Bresser-Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro do governo tucano. Se o Brasil é colecionador de golpes, estamos agora diante do mais sem-vergonha de todos os golpes. É preciso reagir com todas as armas, do contrário essa corja põe fim à nossa ainda frágil democracia, conquistada pela morte, pelo suor e pela luta de tantos brasileiros e brasileiras.

TEORI E O EFEITO CASCATA

TEORI E O EFEITO CASCATA

       O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, acertou em cheio ao anular as escutas envolvendo Dilma e Lula, mas, ao meu ver, provocou um efeito dominó no caso. Se Zavascki anulou as escutas, oficialmente ele as declara ilegais. Se foram ilegais, sobretudo porque envolveram a Presidenta da República, alguém praticou o crime da ilegalidade, e o autor desse crime chama-se Sérgio Moro. Se houve um crime, o autor do crime precisa ser punido, sob pena de beneficiar-se da impunidade. Por outro lado, se Gilmar Mendes valeu-se do ato ilegal de Moro para brecar a nomeação de Lula para a Casa Civil, Gilmar Mendes cometeu, também, uma ilegalidade e deve, no mínimo, desculpas públicas a Lula.

PARINTINS DE MÚLTIPLOS OLHARES

PARINTINS DE MÚLTIPLOS OLHARES

Já nem me lembro bem quando foi. A recepção aos visitantes nada tem de convencional. Enquanto na sala de desembarque aguardávamos as malas e caixas de livros, passamos a ouvir, a princípio distante, como algo remoto, o som ritmado dos tambores naquela animada cadência que embala as pernas dos mais tímidos e resistentes no famoso movimento dois pra lá dois pra cá. Com a abertura da porta que dá acesso ao estacionamento, o rufar dos tambores aproxima-se, invade nossos ouvidos e nos brinda com um delicioso abraço. Agora, visualizamos melhor a cena. Dezenas de crianças comandam com extrema habilidade e largos sorrisos aqueles instrumentos de percussão. Nessa altura, impossível ter absoluto controle sobre os movimentos. Mesmo simulando controle e indiferença, o coração se ajusta ao ritmo e se torna indisfarçável o reflexo no tic-tac das mãos, que se misturam a abraços de boas vindas embalados pela clássica saudação: “Sejam bem vindos os visitantes que vêm nos trazer o seu alô…” Jeito espontâneo e carinhoso de receber os que chegam. Continue lendo