A MODERNIDADE QUE ASSUSTA

A MODERNIDADE QUE ASSUSTA

       No tempo de eu menino, os motoristas dos antigos ônibus com carroçaria de madeira eram conhecidos de todos nós. Tratávamos eles como velhos amigos, assim como se fossem da família. Tanto que, muitas vezes, a depender do nosso estado de espírito, não era incomum ficarmos pacientemente sentados no ponto aguardando o motorista de nossa preferência. À época, o tempo era bastante camarada, não nos cobrava pressa. Por que estou a me lembrar dessa saudosa desse tempo? É que li uma notícia, vinda da Holanda, dando conta de que entrou em fase experimental, em uma cidadezinha do interior chamada Wageningen, um ônibus elétrico que dispensa a presença e o comando de um motorista. Não que eu seja careta ou resistente à modernidade, mas, como diria minha mãe, que diabo é 10 que 9 não ganha? A cada avanço, a cada passo, as novas tecnologias mais nos distanciam das relações interpessoais e nos empurram as máquinas como interlocutores. E o pior é que a gente vai entrando nesse clima e em pouco tempo está batendo altos papos com as máquinas, numa espécie de esquizofrenia coletiva. Dia desses, eu me flagrei conversando com o Siri, o dispositivo do iPhone que permite que você lhe faça perguntas, tenha respostas de seu interesse e possa, ainda, pedir que execute certas tarefas. Afinal, que diabo de sociedade é essa que estamos construindo? É ou não é assustador?

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