DÁ PRA CONVERSAR COM UM FASCISTA?

DÁ PRA CONVERSAR COM UM FASCISTA?

       A filósofa Márcia Tiburi, em seu livro “Como conversar com um fascista”, nos propõe uma tarefa que, a princípio, pode parecer inglória, a começar pela própria advertência posta na apresentação da obra pelo professor Rubens Casara: “O fascismo possui a ideologia da negação. Nega-se tudo (as diferenças, as qualidades dos opositores, as conquistas históricas, a luta de classes etc.), principalmente o conhecimento e, em consequência, o dialogo capaz de superar a ausência do saber”. Acontece que Márcia Tiburi não se rende a essas evidências e propõe ao leitor uma sucessão de reflexões do cotidiano que têm como eixo principal e norteador exatamente a busca do diálogo, uma vez que, “para que o diálogo ocorra é preciso haver o que chamamos de abertura ao outro. A abertura é própria da mentalidade democrática”. Mas o diálogo, no sentido mais tradicional do termo, por si só não teria como sustentar uma prática de aproximação que pudesse quebrar o gelo da resistência fascista. A filósofa, então, entrega nas mãos do leitor desafios que não são poucos: o diálogo deve estar acompanhado e protegido pela tolerância, pelo esforço de se colocar no lugar do outro, pela paixão de não querer para o outro aquilo que não queremos para nós, pela compreensão de saber que “aquele que experimentou o ódio responde com ódio”, mas “aquele que experimentou amor responde com amor”, enfim, o diálogo da conversa com um fascista tem a larga abrangência das nossas utopias na busca de um mundo onde prevaleça uma sociedade mais justa, mais democrática e mais igualitária. Quem aceitar o convite para a leitura de “Como conversar com um fascista” pode até não conseguir a proeza de fazê-lo, mas com absoluta certeza não passará impunemente por nenhuma de suas páginas.

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