DEUS QUE DELÍRIO!

DEUS QUE DELÍRIO!

       No geral, livros que discutem a existência ou não de Deus são chatos, porque sempre dogmáticos, tanto na primeira quanto na segunda tese. Afirmar, entretanto, que “crentes e ateus diferenciam-se porque, de um lado, aprovam; de outro, reprovam”; e “assemelham-se porque nenhum deles nunca encontrou meios de provar o que afirma”, apesar de tantas tentativas, abre uma perspectiva bem interessante para a discussão, uma vez que se ampara na pluralidade. Daí meu sentimento de leitor ter adorado a experiência de atravessar, sempre com grande expectativa, as páginas do livro de Peter Sparks, chamado “Deus, que delírio!!!”. Revi dois momentos de minha vida. Um primeiro, na juventude, em que não tinha dúvida da existência de Deus, e um segundo, já nos últimos anos da graduação, quando desconstruí a crença, o que não me impede de alimentar o delírio pela curiosidade e pelas provocações. Aliás, ponto alto da viagem de Sparks as provocações, algumas das quais põem o bom ateu em xeque, mas não mate: “…quando nega a existência de Deus, tem de trazer em sua mente uma ideia de Deus”. É ou não é uma certeira provocação? Mas a maior de todas elas está, sem dúvida, na geração do conformismo (e aqui a qualificação é minha, não de Peter Sparks) posto na tese de que “Deus só é Deus, de verdade, se for impensável”. E é exatamente pela impossibilidade de compreendê-lo que continuo ateu. Graças a Deus. O livro tá recomendado.

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