HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (7)

HISTÓRIA E MEMÓRIA PEDAGÓGICA (7)

       Não sei como nem por que incorporei o hábito. Desde muito cedo. Sempre fui cartesiano e rigoroso com a questão de horário. Nada a ver com alguma convivência britânica, de onde vem a fama da pontualidade. “O horário da reunião é britânico”, diríamos. O certo é que nunca consegui me desobrigar desse hábito. Ainda que tenha me esforçado em muitas ocasiões. No velho ICHL, no campus da Universidade Federal do Amazonas, por exemplo, sabia exatamente o tempo a ser consumido da sala de professores até à sala de aula. Aí incluídos uma breve pausa na cantina, para um cafezinho, e uma pequena margem de segurança para uma eventual conversa com colegas professores ou alunos ao longo do trajeto. Mas muito antes de ingressar na universidade como docente, já praticava o hábito. Lembro-me de que, quando ministrava aulas para o ensino fundamental, turmas de 6o ao 9o ano, no antigo Colégio Brasileiro da família Silvestre, os alunos me conheciam muito bem. Quando a cansada sirene anunciava o horário de início das aulas, eu já estava na porta da sala de aula aguardando a chegada da turma. Mas com a mesma pontualidade eu interrompia uma frase ou uma explicação ao soar da mesma sirene, anunciando o final do tempo de aula. Esse hábito, que até hoje carrego comigo, valeu-me dos alunos do Colégio Brasileiro um apelido engraçado e simpático de que nunca esqueci: Criket. Para quem não sabe, era uma marca de isqueiro da BIC cujo comercial na TV exaltava sua infalibilidade e sempre terminava com o slogan: “Não falha nunca!”.

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