BRASIL NUNCA MAIS!

BRASIL NUNCA MAIS!

       Nesses dias, levei a cabo uma antiga prática que cultivo sempre que o tempo contemporiza comigo. Espécie de tentativa de pagamento de dívida pela distância que, por força das circunstâncias, mantenho de meus livros. Ponho-me diante da estante, pego um título qualquer, abro aleatoriamente em uma das páginas, leio trechos, se me prende atenção, leio e releio, caso contrário sigo adiante, navegando por outras páginas e, não raro, flagro-me sentado na cadeira mais próxima absorto em alguma passagem cativante. Coincidência ou não, devolvi um exemplar para o seu lugar de origem na estante e, da prateleira logo acima, botei a mão em uma publicação densa, de lombada vermelha. Continue lendo

ONDE ANDA O NOSSO TEMPO?

ONDE ANDA O NOSSO TEMPO?

       Comprei um livrinho que me parece instigante. Chama-se “Onde foi parar nosso tempo?”. Entrou na fila, não li ainda, mas andei bisbilhotando algumas de suas páginas. Cheguei até ele por meio de uma entrevista com seu autor num desses recortes que costumo acumular no canto da mesa. Dei-me conta, como ele, que o tempo nos fugiu do controle e está passando mais rápido. Fazemos diversas coisas ao mesmo tempo. Se vamos ao banheiro, o celular ou o tablete nos acompanha. Continue lendo

O OLHAR CERTEIRO DE BERTHA BECKER

O OLHAR CERTEIRO DE BERTHA BECKER

BERTHA BECKER

       Sabia que voltaria àquele texto. Já se passara mais de um mês do meu encontro com ele. E lá estava no canto direito da mesa me instigando para um reencontro. É sempre assim, quando algum lance de uma leitura fica azucrinando minha cabeça. Quer seja por se ajustar às minhas expectativas quer seja por contrariá-las. Nesse caso particular, a razão foi a primeira. Continue lendo

COMO SE FORMA UM ESCRITOR

COMO SE FORMA UM ESCRITOR

       Entre mostrar como se forma um escritor e como se faz um escritor, Stephen King acredita no primeiro caminho e despreza o segundo. Armado com essa crença, em lugar de oferecer receitas e enfadonhas técnicas dos tantos manuais que habitam as estantes das bibliotecas e amarelam nas mãos de pretensos fazedores de escritores, prefere caminhar lado a lado com o leitor em uma viagem de fôlego que atravessa um longo período de sua vida (espécie de autobiografia não assumida), Continue lendo

AO MESTRE SEM CARINHO

AO MESTRE SEM CARINHO

       Considero-me um interessado leitor em revistas vencidas. Dessas que repousam sobre as mesas das salas de espera de consultórios médicos. O chá-de-espera a que esses profissionais geralmente nos submetem acaba tendo o seu lado menos ruim: permite o resgate de informações das quais, pela falta de tempo no dia a dia, deixamos de nos inteirar. Foi em uma dessas nem sempre desejáveis oportunidades que li uma adormecida matéria sobre o respeito que se tem pelo trabalho do professor em alguns países do chamado Primeiro Mundo. Continue lendo

OS TÍTULOS DO LULA

OS TÍTULOS DO LULA

Como de hábito, acomodei-me na poltrona ao lado, bati a porta e preparei o mote da conversa para aquele percurso. Era comum aproveitarmos o tempo, principalmente dos congestionamentos, para jogarmos conversa fora sobre a política local e nacional, a cidade, as barbaridades do trânsito, memórias da infância e as últimas do dia, que ele garimpava ouvindo nos noticiários das rádios locais. Já com o veículo em movimento, fiz o registro. A turma anda mesmo incomodada com os títulos que o Lula tem recebido mundo afora. Pela particularidade do tema, julguei, a resposta se limitaria a um “pois é”, sem gancho para outros desdobramentos. Enganei-me. Continue lendo

O ENCANTO DE GUTENBERG

O ENCANTO DE GUTENBERG

       Quem diria! A revolução tecnológica, que nos colocou em mãos os livros eletrônicos (e-books), está perdendo terreno para o velho Johannes Gutenberg, que há quase seiscentos anos teve a genial ideia de presentear a humanidade com o livro impresso. A previsão de que as vendas de e-books superaria os impressos caiu por terra: 10% a menos que nos anos anteriores. Pra completar, leio em Carta Capital que se detectou um razoável aumento de livrarias nos Estados Unidos. Se, em 2010, havia 1.410, em 2015 os americanos contam com 1.712 desses espaços maravilhosos. Adepto que sou das novas tecnologias (tenho leitores eletrônicos Kobo e Amazon), fico entre a cruz e a espada: não abro mão do livro impresso, mas adoro a praticidade de um e-book.

DEIXEM MEUS 140 CARACTERES EM PAZ!

DEIXEM MEUS 140 CARACTERES EM PAZ!

       Não gostei da ideia. O Tuíter trabalha com a proposta de aumentar o número de caracteres em seus textos. Pra que, pergunto eu? Por natureza somos verborrágicos. O desafio maior é dizermos muito com poucas palavras. E os 140 caracteres atuais são uma excelente ferramenta didática para aprimorarmos a concisão. Eu, por exemplo, não me permito abreviar palavras, e sempre que escrevo mais de 140 caracteres, me imponho a obrigação de fazer ajustes e retirar as gorduras, até que o texto atinja o limite desejado. Deixem, portanto, meus sagrados 140 caracteres do Tuíter em paz!

PARIS PARA PRINCIPIANTES E ESCOLADOS

PARIS PARA PRINCIPIANTES E ESCOLADOS

       Acabo de encerrar a leitura de dois grandes livrinhos maravilhosos. O diminutivo é carinhoso, mas também revela que são obras de leitura dinâmica, quase de uma sentada. Não importa se você conhece ou não Paris. No primeiro caso, sua paixão será redobrada e, no segundo, será paixão à primeira vista. Em “Paris para principiantes”, Paulo de Faria Pinho pega em sua mão, sai dos circuitos mais badalados, barulhentos e caros e o conduz a uma Paris cheia de surpresas, tantas histórias e lances cotidianos. Continue lendo

MATERIAL VENCIDO

MATERIAL VENCIDO

       O tempo dedicado ao que se pode chamar de dever de ofício tem sido cruel nos últimos tempos. Quase nada sobra para um hábito que sempre cultivei: o da leitura. O resultado? Tenho me tornado um campeão em leitura de pedaços de livros. Me dá (o computador insiste em me lembrar que é “dá-me”. Às favas! Como diria Bandeira, estou farto do lirismo que não é libertação.) uma estranha sensação de incompletude e de injustiça para com eles. No afã de me contrapor ao tempo diminuto, começo a ler uma obra e, vencidos alguns capítulos, me vejo na obrigação de já assumir outra Continue lendo