TEMPOS DE LEITURA E RECAÍDAS

TEMPOS DE LEITURA E RECAÍDAS

       Sempre encantado com as novas tecnologias, já não mais me lembrava do último livro impresso lido. Havia cedido aos encantos e facilidades do Kindle, a genial maquininha do Jeff Bezos, da Amazon. Compacta, fácil de manusear, iluminação própria, com todas as possibilidades de destacar trechos e fazer comentários, suas entranhas podem ser abastecidas ao sinal de um clique com centenas e centenas de livros. Uma maravilha! Eis que num desses dias, por sugestão da amada e minha dívida com Hemingway, debrucei-me sobre a leitura da edição impressa de “Paris é uma festa”, da editora Bertrand Brasil. Continue lendo

O DISCURSO DO REI

O DISCURSO DO REI

       Não, não vou escrever nenhuma resenha sobre o filme, que aborda com maestria os desafios do monarca inglês para superar um problema de gagueira que o deixa arrasado e o impede de se dirigir fleumaticamente aos súditos. Embora encantado com as interpretações de Colin Firth e Geoffrey Rush, o que me estimulou a uma nostálgica viagem rumo ao tempo de eu menino foi a fantástica parafernália de que os ingleses dispunham para martelar a ideologia do império. Continue lendo

ESSAS INOVAÇÕES

ESSAS INOVAÇÕES

       Fui comunicado por imeio. Os mais recentes brinquedinhos da Apple colocados na praça despertaram paixões e suspiros em muitos jovens e marmanjos. Incluo-me entre estes últimos, não espalhem. A nova geração de iPad e iPhone chegou às lojas em pouco mais de um ano. E as coisinhas já se transformaram no objeto do desejo de milhões de pessoas em todo o mundo. Não é pouca coisa. Sempre me impressionou a extraordinária capacidade e rapidez de inovação dessas criaturas e suas maquininhas maravilhosas. Continue lendo

HEMINGWAY E A DIFÍCIL ARTE DE ESCREVER

HEMINGWAY E A DIFÍCIL ARTE DE ESCREVER

       E esses autores caça-níqueis tentam nos convencer de que escrever bem é só uma questão de regras e macetes… Ledo engano! Produzir um texto, por mais curto que seja, é muito mais do que apenas juntar palavras, orações e períodos. É muito mais do que apenas ser um fiel escravo das enfadonhas regras gramaticais e ortográficas cantadas e declamadas nas aulas de língua portuguesa. Esses elementos representam somente a matéria-prima bruta que precisa ser lapidada e aprimorada, para fisgar o leitor e criar o seu encantamento. Continue lendo

LEDO ENGANO

LEDO ENGANO

       Contando ninguém acredita. Sim, para o senso comum, escritores, poetas e cronistas têm verdadeira paixão pelo que fazem. Sentem imenso prazer no ato da escritura de seus textos. Convivem com sessões de orgasmos sempre que se recolhem àquelas horas em que a inspiração transborda e sinaliza o momento do parto, sempre normal, de uma obra. Não, francamente eu não acredito nisso. Escrever, pra mim, nunca foi um ato prazeroso. Muito pelo contrário. Continue lendo

MINHA DÍVIDA COM HEMINGWAY

MINHA DÍVIDA COM HEMINGWAY

       Nem o velho Hemingway sabia de minha dívida com ele. Claro que não! Fiz minha promessa em meados da década de noventa do século passado, quando ainda cursava o doutorado na PUC de São Paulo. Ele nos deixara muito antes, em 1961, aos sessenta anos, sete depois de ganhar o Nobel de Literatura e quando eu ainda tinha apenas 10 anos. Além do mais, a promessa fora feita comigo mesmo. Portanto não havia como Ernest Hemingway saber. E por que estou trazendo à tona tais lembranças? Continue lendo

PAIXÃO POR LIVROS

PAIXÃO POR LIVROS

       Sabe dessas coisas que azucrinam dias e dias na cachola? Pois foi assim desde que li um texto na seção Brasiliana, da revista Carta Capital, dando conta de que uma editora de São Paulo decidira incinerar 3.700 exemplares de dois livros da escritora Chantal Dalmass. A alegação empresarial era de que a obra apresentava “nível insatisfatório de rotação comercial”. Numa tradução à altura dos pobres mortais, os livros estavam encalhados. Já movido pela aflição, entre a passagem do primeiro para o segundo parágrafo da matéria, o óbvio me veio à cabeça. Continue lendo

TUDO COMO DANTES

TUDO COMO DANTES

       Não adianta. Repetiu-se como de outras vezes. Prometi a mim mesmo que passaria pelo menos uma semana da licença médica compulsória desplugado de jornais, revistas, internet, TV, Tuíter e Feicebuque. Como de outras vezes, impus-me a crença de que a abstinência era componente fundamental para eu me recuperar do cansaço e do estresse. Para uma criatura urbanoide, como eu, isso não é sacrifício pouco, podem acreditar. O fato é que consegui o pretendido. Até já falei sobre isso. Continue lendo

A CERTEIRA PREVISÃO DE ADA LOVELACE

A CERTEIRA PREVISÃO DE ADA LOVELACE

       Já na reta final da leitura de “Os inovadores”, de Walter Isaacson. A grande precursora dos modernos computadores que fazem parte de nossa vida chama-se Ada Lovelace, filha do poeta Lord Byron. 100 anos antes ela compartilhara com seus pares idéias do que viria a se transformar em realidade nos anos cinquenta e ganhar impulso de avançado aprimoramento tecnológico na década de oitenta, com o aparecimento dos microchips e das redes de comutação de pacotes. Continue lendo

PARANOIA

PARANOIA

       Pode até ser um passageiro estado de espírito. Mas que tem me incomodado, isso tem. Em verdade, o fato de não ter provocado inquietação alguma em outras pessoas tem me incomodado mais ainda. Andei reverberando por aí minhas preocupações, mas não consegui motivar criatura alguma a acolher meu mau presságio. Utilizei o meu sagrado espaço democrático no Tuíter, na tentativa de mobilizar alguma alma, e nada. Até fiquei um pouco magoado com o marqueteiro do Obama. Ele espalhou aos quatro cantos que esse mecanismo da internet é bater e ver, tanto que o Barack teve sua primeira eleição garantida pelas chamadas redes sociais. Continue lendo