TEMPOS DE LEITURA E RECAÍDAS

TEMPOS DE LEITURA E RECAÍDAS

       Sempre encantado com as novas tecnologias, já não mais me lembrava do último livro impresso lido. Havia cedido aos encantos e facilidades do Kindle, a genial maquininha do Jeff Bezos, da Amazon. Compacta, fácil de manusear, iluminação própria, com todas as possibilidades de destacar trechos e fazer comentários, suas entranhas podem ser abastecidas ao sinal de um clique com centenas e centenas de livros. Uma maravilha! Eis que num desses dias, por sugestão da amada e minha dívida com Hemingway, debrucei-me sobre a leitura da edição impressa de “Paris é uma festa”, da editora Bertrand Brasil. Tive uma pesada recaída. Tudo voltou como um mágico reencantamento. O cheirinho gostoso das páginas impressas, o deslizar carinhoso das mãos sobre a capa e a lombada, a leitura inicial da apresentação contida na orelha, as gostosas e sempre cheias de surpresas passagens por trechos aleatórios das diversas páginas, a dobrinha na ponta da página, sinalizando alguma feliz descoberta, enfim, o reencontro de um velho prazer já meio adormecido dentro de mim. Entrei em dissonância, como na música do Martinho da Vila: “Não sei se vou, não sei se fico; se fico aqui ou se fico lá; se estou lá, tenho que vir; se estou aqui, tenho que voltar”.

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